sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

A televisão me deixou burro demais


Cheguei em casa tarde, como de costume. Minha irmã estava na sala assistindo TV com o namorado. Preciso dizer o programa? Vou pular essa parte. Hoje: prova do líder. Cada um dos participantes tinha que estender o braço e tocar com o indicador a boca de uma versão de si mesmos em caricatura. Ganhava quem agüentasse passar mais tempo assim.

A essa altura eu já tinha trocado de roupa e estava sentado conversando com minha irmã e meu cunhado e zombando da monotonia da prova. Daí tive um estalo: já pensou? Cem milhões de brasileiros parados em frente da TV acompanhando isso! É a redução intelectual de uma nação! A idiotização de um país.

Alguém sabe quem ganhou?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Eu li isso!




Usar essa manchete pra falar da falta de espaço nos cemitérios é pau! Vou fingir que não há nenhum interesse político aí.

Mudando de assunto... você votaria em alguém que iria aumentar seu salário em 69%? Trezentos votaram.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

Tsunami em João Pessoa


O nome dela é Gislene, operadora de telemarketing da C&A. Ela se apresentou e disse que queria me presentear com um ibiCard C&A.

- Qual a sua data de nascimento?
- Eu não tenho interesse em cartão de crédito.
- Você não tem interesse porque ainda não conhece. Quando o seu ibiCard for desbloqueado, você vai poder usá-lo e conhecer todas as suas facilidades e aí terá interesse nele. A data de nascimento, por favor.
- Eu não pretendo usar esse cartão. Pago tudo à vista e em dinheiro. Nem de cheque eu gosto.
- Mas você não sabe o que pode acontecer amanhã. Você viu aquelas pessoas na Ásia: veio um tsunami e devastou tudo! Se eles tivessem alguém com quem pudesse contar seria bem melhor para eles.
(Breno pensando e com vontade de rir: Se eles tivessem com um ibiCard na mão teriam sido levados com cartão e tudo!)
- Esse cartão tem anuidade, né?
- São três parcelas de R$ 11. A mais baixa do mercado.
- Então! Eu não quero pagar por algo do tipo.
- Mas você pode precisar de dinheiro e daí vai ter que recorrer a uma financiadora ou a familiares que vão ficar falando para o resto da vida.
- Eu não tenho esse tipo de familiares!
- Qual a sua profissào?
- Jornalista.
- Você como jornalista às vezes sai por aí, sem eira, nem beira e pode precisar de comer. Você vai passar fome?
(Breno com muita vontade de rir)
- Eu já tenho um cartão que foi presente da minha mãe, e que inclusive é debitado na conta dela. Mas parei de usá-lo desde que comecei a trabalhar.
- Então está na hora de você dar um presente à sua mãe que te carregou nove meses na barriga. Dê um ibiCard pra ela!
- Eu estou apenas começando minha carreira profissional e não tenho a menor condição de dar um cartão de crédito para minha mãe gastar o quanto quiser.
- Seria um grande passo na sua carreira!
- Um passo pra trás! Você não acha que eu seria idiota se aceitasse pagar por algo que já tenho e que não pretendo usar?
- Não.
- Você sabe que como jornalista eu escrevo diversos tipos de matéria, inclusive sobre economia e direitos do consumidor. E que durante as entrevistas, nós já recebemos diversas queixas de consumidores que reclamam que os operadores de telemarketing não sabem conviver com um "não".
- E quem é que gosta de receber um "não"? Você gosta?
- Eu posso não gostar, mas tenho que conviver com eles. Muitas vezes quando a gente tenta ouvir os dois lados da notícia, um deles não quer dar declarações e eu sou obrigado a dizer que "a reportagem tentou entrar em contato com fulano de tal, mas até o fechamento da edição não foi possível localizá-lo". Eu já disse que não quero o cartão e nada do que você me disser vai me fazer lhe dar a minha data de nascimento. O que você acha que eu devo fazer: escrever outra matéria sobre isso ou ter que ir atrás de um SAC ou Procon da vida?
- Senhor Breno, o Código de Defesa do Consumidor não proíbe esse tipo de prática, mas como o senhor não está interessado, obrigado e tenha um bom dia.
- Um bom dia para você também.
(Gislene pensando: Ah bicho pão-duro miserável dos infernos!)

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

Medo de Arrepiar


Matéria publicada no jornal Correio da Paraíba, no caderno Papo Cabeça, em 16 de janeiro de 2005.

Na fila do cinema já começa aquele friozinho na barriga. Alguns pais nem desconfiam que filme o filho dele foi ver com os amigos, mas isso já ficou para trás e agora é hora de curtir. A galera está lá e vai encarar mais um lançamento de arrepiar os cabelos. Mas o que pode haver de divertido em um filme que só assusta? Será que tudo não passa de um desejo de se auto-afirmar? É isso, sim e muito mais.

Os filmes de terror geram uma interação com a platéia mais intensa do que qualquer outro gênero. Na verdade ela também é parte do espetáculo. O público dá pulos na poltrona, levanta a perna, se encolhe, grita, cobre os olhos. Uns engraçadinhos aproveitam a tensão para soltar umas piadas nas cenas que antecedem os clímax. Para os casais é um prato cheio: tem até uns garotos que fingem ter mais medo para se acolher com a paquera. E também tem as meninas que estão com o coração saindo pela boca, mas fazem tudo para não transparecerem nada.

Existe outra razão que atrai os adolescentes aos filmes de terror: fazer algo proibido. Alguns ignoram a advertência dos pais, outros tentam driblar a censura pré-estabelecida, o que pode ser bem arriscado e também gerar alguns constrangimentos. Ser convidado a sair do cinema, por exemplo.

Não falta criatividade para tentar dar um jeitinho quando a censura não permite. Alguns tentam usar uma carteira de estudante do amigo mais velho, outros compram o ingresso para um filme de censura livre e entram na sala onde está em cartaz um filme restrito. Há ainda os que apostam na desatenção dos funcionários do cinema em dias mais cheios como a quarta-feira, quando a demanda cresce por causa dos preços promocionais e a fiscalização diminui com a pressa.

O medo está entre as emoções mais primitivas do homem e ele se desenvolve em nós como o raciocínio, ou seja, nós aprendemos as coisas que nos dão medo e associamos o que nos assusta a uma reação de defesa e elas passam a fazer parte do nosso dia-a-dia.

Talvez por esse aspecto ancestral do medo que a história do cinema também tenha se desenvolvido entre produções que causam espanto. Desde filmes clássicos como ¿Nosferatu¿, um vampiro da época do cinema mudo, até os mais recentes como ¿O filho de Chuck¿, ¿O Grito¿, ou ¿Exorcista: O início¿ exploram o medo e garantem salas cheias. Segundo o site Filme B, que mede a freqüência nas salas de cinema do Brasil, em sua estréia, o filme ¿O Grito¿ se tornou o mais assistido do último fim de semana. Em João Pessoa, em sua semana de estréia, a produção ocupou as maiores salas da cidade, a MAG 5 e a Cinebox 5. E se depender do público teen, o sucesso vai continuar.

Depoimentos:

Pedro Bravin, 16: Gosto de filmes de terror porque, basicamente, é adrenalina. E tem hora que você vai com um grupo e faz bagunça e você chega até a rir das cenas.

Eduardo Leão, 15: O medo é legal. Os filmes de antes tinham histórias parecidas com os de hoje, mas os efeitos melhoraram e dá bem mais medo.

Guilherme Vilhaça, 15: Acho que todo mundo gosta de sentir medo.

Tiago Lima, 15: Geralmente a gente vem acompanhado com mulher, e elas sentem medo e agarram na gente. E também é bom para nos testar. Teve uma vez que eu estava sentado ao lado de uma menina que não conhecia e ela, com medo, encostou a mão em mim, daí eu conversei e desenrolei.

Edílson Júnior, 25, que levou suas primas de 14 ao cinema: Elas pensam que já são adultas. Liberou pra 14 e elas já pensam ¿eu posso¿. Elas não querem ver Xuxa!

Mariane Cristine, 15: Em Recife nós já furamos a censura, aqui em João Pessoa é mais rigoroso. Minha carteira de estudante estava com a data de nascimento errada e eles me pediram para mostrar a de identidade.

Rafael de Oliveira, 13: Lá em Recife a gente compra um ingresso da sessão anterior, daí espera dar a hora e vai ao banheiro, quando saímos de lá já entramos na sala do filme de terror. Ninguém vai procurar a gente no escuro mesmo!

Isabelle de Oliveira, 14: Eu comprei no dia de quarta-feira que é lotado, aí o homem não olha a data direito, só vê a foto.

Jonathan de Oliveira, 14: Assisti ¿O exorcista¿ em cartaz pra 14 e eu entrei com 13 no esquema. Meus amigos também vão na onda. Tem vez que barram ou pegam. Uma vez só eu tinha idade pra assistir o filme e colocaram meus colegas todos pra fora e eu fiquei sozinho lá assistindo.

sábado, 15 de janeiro de 2005

Marketing? Magina...


Eu sei que o pessoal vem aqui para ler um texto engraçadinho, ou entra por acidente, ou para me "patrulhar", ou mesmo por algum motivo escuso e/ou desconhecido. Mas dessa vez vou pedir licensa para fazer uma propagandinha discreta, sem fins lucrativos: amanhã tem uma matéria minha no Correio da Paraíba no caderno dominical Papo-Cabeça.

O tema é o gosto que os adolescentes têm por filmes de terror e deve sair com o título "Diversão de Arrepiar". Quem quiser pode lê-la pela versão online do jornal clicando aqui. O texto deve ficar disponível durante uma semana.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

Eu iria dar nota 2


Avassaladoras (Brasil, 2002), filme de Mara Mourão, é ruim. Breno você é um péssimo crítico, já tá colocando juízo de valor! E eu com isso? Isso é um blog! O filme é fraco porque os diálogos são fracos, forçados, as interpretações caricatas e Reynaldo Gianecchini (Tiago) está indeglutível.

Mas nem tudo está fora do lugar. A edição é boa. Existe uma certa dinâmica que faz com que você não se canse com o filme. Algumas piadas funcionam e até que dá pra rir um pouco - como na sequência em que Giovanna Antonelli (Laura) e Caco Ciocler (Miguel) vão jantar em um restaurante árabe. Aos que detestam clichês, melhor nem assistir - esse só perde pra Dom (Brasil, 2003).

Uma curiosidade é que o diretor de arte acreditou na combinação do azul com o laranja. Não eram as eleições de João Pessoa, mas era só o que se via. Tem hora que todas na empresa estão usando laranja e uma pessoa está de azul depois o contrário. Numa cena Giovanna Antonelli e Reynaldo Gianecchini estão conversando e no fundo da tela aparecem dois barquinhos amarrados num trapiche, um tem uma faixa azul e a faixa do outro é... acertou.

O final é razoável, pelo menos foge, em parte da previsibilidade. Eu gosto muito de cinema nacional, tendo a olhar as produções brasileiras com bons olhos, mas o começo de Avassaladoras afasta um pouco, depois até que desce, merece um 6. Nota 2 eu vou deixar pra Globo, que mandou às favas o Padrão Globo de Qualidade e fez uns cortes pra dividir o filme em blocos dignos de alunos da 4ª série.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2004

Ano Novo (ou não!)


Por mais que alguém possa tentar racionalizar que o dia 1º de janeiro é tão "apenas um dia" como qualquer outro, há de se convir que a consciência de cronologicamente estar em outro ano faz a gente pensar em muita coisa.

É bem comum olhar para o ano que passou destacar o que foi feito, o que se conquistou, o que se perdeu e, como não podia deixar de ser, o que continuou do mesmíssimo jeito.

Normal também é fazer as famosas resoluções de fim/início de ano. (Lembro que planejei para 2004 procurar não aprender coisas novas, mas desenvolver as que já sabia um pouco, como francês e violão.) O problema é que quase sempre as resoluções são girinos de frustrações.

E qual o problema de ser normal? Façam a retrospectiva que quiserem, planejem o que der na telha. Qualquer coisa tem 2006 para tentar fazer ou ser diferente.