Vez por outra uma música vira webhit, por um motivo ou por outro. Há alguns anos aconteceu com a pérola "Vá tomar no..." (vocês lembram!), que até hoje, vira e mexe, reaparece num tweet. Desta vez, para minha alegria, o estouro de acessos (mais de um milhão até agora!) se deu numa música que é uma delícia: Oração, de um grupo de Curitiba chamado A banda mais bonita da cidade.
A letra se repete várias vezes ao longo da melodia e a mensagem é de uma delicadeza particular. Basta ouvir uma vez que gruda. A música só é superada pelo clipe, um arrebatador plano-sequência de pouco mais de seis minutos. A câmera inicia o plano com um jovem (Leo Fressato) cantando junto à janela de um quarto no primeiro andar até a apoteose com todos seus amigos músicos na sala da casa. A influência de Beirut é evidente, tem um quê de Elephant Gun e seus confetes.
A explosão na rede, em tempos de Twitter, deve ter acontecido porque o clipe e a canção são "pra cima". Conduzem os internautas da melancolia ao amor e à alegria efusiva. Vale a pena conferir!
Oração - A banda mais bonita da cidade
domingo, 22 de maio de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Hereafter
Sessão de cinema ontem (segunda-feira, dia dos lisos) para assistir o novo de Clint Eastwood, "Além da vida", com Matt Damon, Cécile de France e os gêmeos George e Franckie McLaren. Uma abordagem interessante sobre vida após a morte costurada em três histórias que, como esperado, se cruzam ao longo do filme.
Esse texto poderia entrar no Coisas de Crente, mas vou colocar aqui só umas pequenas considerações. Primeiro que acredito em vida após a morte. Segundo, que o melhor argumento que vi para justificar o ceticismo está em "Mar Adentro", quando o personagem de Javier Bardem (Ramón Sampedro) diz que depois da morte será como antes de nascermos, simplesmente deixaremos de existir.
"Além da vida" mostra a experiência de uma jornalista francesa que quase morre afogada vítima do tsunami de dezemro de 2004. Enquanto estava "morta" tem visões de pessoas em meio a sombras e luz, semelhantes às que George Lonegan, interpretado por Matt Damon, costuma ter ao tocar as pessoas.
Eastwood aborda o charlatanismo dos falsos videntes, o ceticismo, o preconceito acadêmico em torno do tema. Faz o espectador acreditar que existe mesmo uma continuidade após a vida que levamos e a torcer para que um dos gêmeos encontre conforto do além. Interessante que Lonegan considera sua clarividência uma maldição e diz que uma vida que é centrada na morte não pode ser uma boa vida.
Quanto a mim prefiro acreditar numa separação completa entre vivos e mortos, sem possibilidade de comunicação. Mas o espiritismo leva uma grande vantagem em convencimento ao oferecer mensagens de quem já morreu aos parentes. Quem não gostaria de ouvir alguma recomendação ou notícia de quem não está mais por aqui?
Esse texto poderia entrar no Coisas de Crente, mas vou colocar aqui só umas pequenas considerações. Primeiro que acredito em vida após a morte. Segundo, que o melhor argumento que vi para justificar o ceticismo está em "Mar Adentro", quando o personagem de Javier Bardem (Ramón Sampedro) diz que depois da morte será como antes de nascermos, simplesmente deixaremos de existir.
"Além da vida" mostra a experiência de uma jornalista francesa que quase morre afogada vítima do tsunami de dezemro de 2004. Enquanto estava "morta" tem visões de pessoas em meio a sombras e luz, semelhantes às que George Lonegan, interpretado por Matt Damon, costuma ter ao tocar as pessoas.
Eastwood aborda o charlatanismo dos falsos videntes, o ceticismo, o preconceito acadêmico em torno do tema. Faz o espectador acreditar que existe mesmo uma continuidade após a vida que levamos e a torcer para que um dos gêmeos encontre conforto do além. Interessante que Lonegan considera sua clarividência uma maldição e diz que uma vida que é centrada na morte não pode ser uma boa vida.
Quanto a mim prefiro acreditar numa separação completa entre vivos e mortos, sem possibilidade de comunicação. Mas o espiritismo leva uma grande vantagem em convencimento ao oferecer mensagens de quem já morreu aos parentes. Quem não gostaria de ouvir alguma recomendação ou notícia de quem não está mais por aqui?
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Diz que eu tô por aí
As árvores da justiça em "Ética a Nicômaco", um trabalho sobre Direito Subjetivo, um voto de desempate sobre "O caso dos exploradores de caverna", comentários sobre diversos incisos do artigo 5º da Constituição Federal, a parte escrita de um trabalho sobre o Principado no Direito Romano, uma resenha sobre um texto de Direitos Humanos, uma reposição, três provas, uma apresentação sobre "Liberdade de Expressão X Liberdade de Imprensa". Acho que estou esquecendo de alguma coisa.
Se alguém perguntar por mim, diz que eu tô por aí.
Se alguém perguntar por mim, diz que eu tô por aí.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Água no Schopenhauer
Aprendi a desconfiar de tudo que leio e a ser cético com aquelas verdades que são porque são. Desconfio daquele tipo de diálogo em que um diz: E por que é assim? É porque é. Hoje mesmo eu estava retomando a leitura de "A arte de escrever", de Arthur Schopenhauer. Ele deixa claro que a maioria dos livros não deveriam ser escritos e que os escritores não devem escrever tendo como base pensamentos alheios. Se fosse tomar como verdade tudo que li de Schopenhauer, deveria matar o blog.
Não que este espaço tenha alguma função especial para a humanidade, mas o filósofo alemão restringe a capacidade de escrever algo bom a uma elite reduzidíssima de pessoas que "pensam nas coisas", que escrevem sem precisar de ser remuneradas e que só trazem à tona pensamentos originais.
Prefiro me espelhar no pensamento de Newton que dizia que se pode enxergar mais distante é porque estava sobre os ombros de gigantes. Sem dúvida irei aplicar algumas coisas que Schopenhauer me ensina. Sua acidez pode ser útil se usada nas ocasiões devidas. Mas desprezar as releituras, os compêndios e espinafrar as traduções demonstra um tanto de igratidão.
Não que este espaço tenha alguma função especial para a humanidade, mas o filósofo alemão restringe a capacidade de escrever algo bom a uma elite reduzidíssima de pessoas que "pensam nas coisas", que escrevem sem precisar de ser remuneradas e que só trazem à tona pensamentos originais.
Prefiro me espelhar no pensamento de Newton que dizia que se pode enxergar mais distante é porque estava sobre os ombros de gigantes. Sem dúvida irei aplicar algumas coisas que Schopenhauer me ensina. Sua acidez pode ser útil se usada nas ocasiões devidas. Mas desprezar as releituras, os compêndios e espinafrar as traduções demonstra um tanto de igratidão.
domingo, 29 de agosto de 2010
Ser doutor é moleza... Not!
Estava lendo a lista de discussão da minha turma de direito e um colega postou um texto do blog Gravataí Merengue com o título "Doutores e Doutores". No último parágrafo o autor escreve:
"Por fim, nos dias de hoje é moleza ser doutor (direito/medicina) ou doutor (graduação acadêmica). Há faculdades em todas as esquinas, dessas que dando duas voltas no quarteirão já se passa no vestibular e, também, mestrados e doutorados a rodo."
Até concordo que ser "doutor" porque tem graduação em direito é moleza, especialmente se você entrar numa faculdade particular do tipo "vende-se um diploma". O mesmo se aplica pra Medicina.
Na federal já não é tão moleza assim. No caso de direito porque o vestibular pode até não ser tãaaaooo difícil assim, mas o curso é. Pelo menos eu acho. O primeiro período foi o mais difícil que já cursei em toda a minha história acadêmica.
Já em medicina, não acredito que o curso seja tão difícil, afinal o índice de desistência é mínimo e se a coisa fosse complexa como as abstrações da área de exatas ia acontecer o mesmo que acontece lá: você perde umas cadeiras ao longo do curso, faz vestibular pra limpar currículo, estuda com mil turmas.
Mas não tem nada de moleza quando o assunto é passar no Vestibular da Federal em Medicina. O nível é muito alto, a concorrência também é alta, você tem que dominar todas as matérias e ser espetacular em algumas delas. Não basta ser bom, tem que ser no mínimo ótimo na maioria e cravar excelente nas demais.
Quanto a ser moleza ser doutor via tese de doutoramento, não sei em que planeta esse advogado vive pra pensar assim. É um trabalho extenuante que uns poucos privilegiados realizam com tranquilidade.
"Por fim, nos dias de hoje é moleza ser doutor (direito/medicina) ou doutor (graduação acadêmica). Há faculdades em todas as esquinas, dessas que dando duas voltas no quarteirão já se passa no vestibular e, também, mestrados e doutorados a rodo."
Até concordo que ser "doutor" porque tem graduação em direito é moleza, especialmente se você entrar numa faculdade particular do tipo "vende-se um diploma". O mesmo se aplica pra Medicina.
Na federal já não é tão moleza assim. No caso de direito porque o vestibular pode até não ser tãaaaooo difícil assim, mas o curso é. Pelo menos eu acho. O primeiro período foi o mais difícil que já cursei em toda a minha história acadêmica.
Já em medicina, não acredito que o curso seja tão difícil, afinal o índice de desistência é mínimo e se a coisa fosse complexa como as abstrações da área de exatas ia acontecer o mesmo que acontece lá: você perde umas cadeiras ao longo do curso, faz vestibular pra limpar currículo, estuda com mil turmas.
Mas não tem nada de moleza quando o assunto é passar no Vestibular da Federal em Medicina. O nível é muito alto, a concorrência também é alta, você tem que dominar todas as matérias e ser espetacular em algumas delas. Não basta ser bom, tem que ser no mínimo ótimo na maioria e cravar excelente nas demais.
Quanto a ser moleza ser doutor via tese de doutoramento, não sei em que planeta esse advogado vive pra pensar assim. É um trabalho extenuante que uns poucos privilegiados realizam com tranquilidade.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Ened 2010. Eu fui!
Fui e voltei gripado pra caramba! O Encontro Nacional dos Estudantes de Direito deste ano foi realizado em Brasília. Nesta época, o clima por lá é... um piadista! O dia inteiro faz calor. Quando anoitece esfria e durante a madrugada congela! Estou exagerando. Não chega a congelar, mas cai para algo perto de 10ºC. A rotina era dormir enrolado e acordar morrendo de frio pouco depois das 5h30. Com esses contrastes não tem corpo que aguente. Minha gripe que o diga!
Deixando clima e gripe de lado, o Ened 2010 foi um momento interessante para se discutir educação jurídica. O tema "O Direito entre a razão e a sensibilidade" motivou os palestrantes, oficineiros e estudantes a pensar além do ensino dogmático e tecnicista que caracteriza os cursos de Direito. Parece que em todo o país, o foco das universidades e faculdades tem sido mesmo ranquear os cursos pelo índice de aprovação na prova da OAB e em concursos públicos.
Acho importante que a universidade em que estudo qualifique para isso, mas é preocupante saber que os valores de justiça e dignidade humana estão sendo reduzidos a um punhado de leis, decoreba e pouca reflexão crítica. Uma quantidade pequena, mas representativa dos estudantes que estiveram no Ened participou de um ato público na quarta-feira (14/07) levando à porta do MEC os clamores por uma educação jurídica sensível, emancipatória e não-mercantil.
Foi interessante ver o reitor da UnB José Geraldo de Sousa Júnior explicar na conferência de abertura do Ened que o conceito de Direito foi reduzido de "a arte do bom e do justo" para "ciência das normas". Valorizamos a razão explicativa em detrimento da razão sensível. A falta de sensibilidade desumaniza o homem, o transforma em coisa. A justiça sensível é a que sabe se colocar no lugar do outro. Trazer de volta esta dimensão pode transformar a sociedade.
Deixando clima e gripe de lado, o Ened 2010 foi um momento interessante para se discutir educação jurídica. O tema "O Direito entre a razão e a sensibilidade" motivou os palestrantes, oficineiros e estudantes a pensar além do ensino dogmático e tecnicista que caracteriza os cursos de Direito. Parece que em todo o país, o foco das universidades e faculdades tem sido mesmo ranquear os cursos pelo índice de aprovação na prova da OAB e em concursos públicos.
Acho importante que a universidade em que estudo qualifique para isso, mas é preocupante saber que os valores de justiça e dignidade humana estão sendo reduzidos a um punhado de leis, decoreba e pouca reflexão crítica. Uma quantidade pequena, mas representativa dos estudantes que estiveram no Ened participou de um ato público na quarta-feira (14/07) levando à porta do MEC os clamores por uma educação jurídica sensível, emancipatória e não-mercantil.
Foi interessante ver o reitor da UnB José Geraldo de Sousa Júnior explicar na conferência de abertura do Ened que o conceito de Direito foi reduzido de "a arte do bom e do justo" para "ciência das normas". Valorizamos a razão explicativa em detrimento da razão sensível. A falta de sensibilidade desumaniza o homem, o transforma em coisa. A justiça sensível é a que sabe se colocar no lugar do outro. Trazer de volta esta dimensão pode transformar a sociedade.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Leia e releia Josué de Castro
Josué!!! Quem gosta de manguebeat já deve ter escutado um monte de vezes Chico Science gritando esse nome. Excelente! E seria melhor ainda se em alguma outra música tivesse colocado logo o complemento "de Castro". Pena que Science tenha morrido tão cedo. Se a citação tivesse acontecido, uma penca de fãs de sua música provavelmente se tornariam fãs deste outro pernambucano.
Josué de Castro escreveu o clássico estudo "Geografia da fome", cuja 10ª edição está bem aqui diante dos meus olhos. Um exemplar bem velho que peguei na Biblioteca Central da UFPB. O livro é sensacional! Quem mora no Nordeste tem que ler para se conhecer melhor e quem é de fora pra ultrapassar a superficialidade que a história oficial apresenta os problemas da região.
Diga-se, "Gegrafia da fome" não é um estudo apenas sobre o Nordeste, mas sobre a fome em todo o Brasil, fazendo referências também à fome em outras partes do mundo. Já na introdução, o autor destaca que este tema espinhoso tem sido suprimido - não inocentemente - dos centros científicos de excelência. Parece cômodo dedicar energia ao estudo de questões mais palatáveis (trocadilho proposital).
A fome é um problema global, com explicações históricas, sócio-econômicas e culturais. Os ciclos de crise e desenvolvimento costumam varrer para debaixo do tapete suas consequências nefastas. É muito mais cômodo não pensar em famintos. "Fazer o quê? Isso é assim mesmo." É assim, mas pode ser diferente. Josué de Castro não só escreveu, como também atuou para mudar esta realidade. Alguém aí está disposto a agir parecido?
Update!
Encontrei a citação a uma música de Chico Science que diz "…tem que saber p’ra onde corre o rio, tem que saber seguir o leito, tem que estar informado, tem que saber quem é Josué de Castro, …rapaz!"
Não conheço essa música. Se ela existe, alguém poderia colocar um link com a letra toda nos comentários? Agradeço desde já! Pelo visto devo ter cometido uma injustiça na abertura do texto. Neste caso, peço desculpas.
Josué de Castro escreveu o clássico estudo "Geografia da fome", cuja 10ª edição está bem aqui diante dos meus olhos. Um exemplar bem velho que peguei na Biblioteca Central da UFPB. O livro é sensacional! Quem mora no Nordeste tem que ler para se conhecer melhor e quem é de fora pra ultrapassar a superficialidade que a história oficial apresenta os problemas da região.
Diga-se, "Gegrafia da fome" não é um estudo apenas sobre o Nordeste, mas sobre a fome em todo o Brasil, fazendo referências também à fome em outras partes do mundo. Já na introdução, o autor destaca que este tema espinhoso tem sido suprimido - não inocentemente - dos centros científicos de excelência. Parece cômodo dedicar energia ao estudo de questões mais palatáveis (trocadilho proposital).
A fome é um problema global, com explicações históricas, sócio-econômicas e culturais. Os ciclos de crise e desenvolvimento costumam varrer para debaixo do tapete suas consequências nefastas. É muito mais cômodo não pensar em famintos. "Fazer o quê? Isso é assim mesmo." É assim, mas pode ser diferente. Josué de Castro não só escreveu, como também atuou para mudar esta realidade. Alguém aí está disposto a agir parecido?
Update!
Encontrei a citação a uma música de Chico Science que diz "…tem que saber p’ra onde corre o rio, tem que saber seguir o leito, tem que estar informado, tem que saber quem é Josué de Castro, …rapaz!"
Não conheço essa música. Se ela existe, alguém poderia colocar um link com a letra toda nos comentários? Agradeço desde já! Pelo visto devo ter cometido uma injustiça na abertura do texto. Neste caso, peço desculpas.
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