quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Solha só

Há alguns dias vejo na internet um pequeno grupo de intelectuais se posicionando sobre a proposta de WJ Solha para a Paixão de Cristo (proposta rejeitada pela Funjope). Como eu não sou intelectual, levei mais tempo para processar tudo e aqui vai o meu parecer:

Apoio a liberdade criativa de WJ Solha - e aqui dispenso os elogios de praxe ao artista porque ele sabe bem o tamanho de sua competência. Solha desenha, pinta, atua, escreve. Estou usando apenas verbos para que percebam que não preciso de adjetivos quando quero descrevê-lo.

Quando Solha propõe uma Paixão que alude ao contexto nazista e traz como personagem um esteriótipo de Hitler, o faz porque é livre para fazer. Desejo que não ate sua liberdade aos pudores conservadores. Escreva, produza, chegue ao seu melhor resultado. Apoio sem restrições.

Quanto à montagem, concordo com Walter Galvão sobre a posição da Prefeitura de João Pessoa. Não há uma justificativa justa (a redundância é proposital!) a se investir os milhares de reais da Funjope em um espetáculo com esta estética e temática. Se pensarmos que a suástica é apenas mais uma cruz desprezaremos sua polissemia.

Eu não quero ver Hitler crucificado ou coisa parecida. Não pretendo derrubar a coméia onde jorra o mel judeu. O Jesus que eu conheço era judeu, morreu e está vivo. Não lutou contra o nazismo (nem a favor, claro!). Viveu a maior história de amor já imaginada.

Prefiro que o dinheiro que dou à Prefeitura de João Pessoa e que é repassado para a Funjope custeie uma Paixão com outros contornos. Os contornos da Galiléia são mais palatáveis que os germânicos dos anos 1930 e 40.

5 comentários:

Carolina Queiroz disse...

Concordo com você, Breno. E minha fala vai para além das minhas crenças religiosas. A arte tem sim poder desvinculador e, quem sabe irrestrito, mas o dinheiro público não.

Se a Paixão é paga pelo poder público, que a arte esteja vincalada aquilo que se quer ver.

Também não quero ver Hitler cruscificado. Ao menos, não na cruz que considero simbolismo de regeneração, sacrifício de amor, dentre tantos outros simbolismos.

(ótimo texto, ótima discussão)

Breno Barros disse...

Valeu, Carol!

.ailton. disse...

e hitler farias às vezes de jesus?

Breno Barros disse...

Tonton, se quiser te mando o e-mail de Solha e você pergunta os detalhes a ele. Outro caminho é perguntar a Chico César, diretor da Funjope.

::: Luís Venceslau disse...

Acho q essa proposta do Solha tá "cultural" demais..