quarta-feira, 12 de abril de 2006

Salve o politicamente correto!


O título não é uma saudação - só um trocadilho mesmo! O caso é que se tem uma coisa que me incomoda é o tal do "politicamente correto" no que se refere à linguagem. Esse jeito forçado de tentar "poupar" alguém ou alguma coisa de uma palavra ou sentido incômodo.

A última que ouvi foi em uma matéria do Band News hoje pela manhã que falava das recomendações de linguagem para o Reino Unido na abordagem dos conflitos envolvendo muçulmanos. Agora se deve evitar "terrorismo islâmico" e usar "terrorismo dos que invocam o Islã de forma abusiva". Isso pra mim é exagero!

No mesmo balaio eu coloco "afro-descendente" em vez de "negro", "pessoas com deficiência" em vez de "deficientes", "deficiente visual" em vez de "cego", e principalmente, o hours concours "melhor idade" que substitui "terceira idade". Aliás, os outros tentam substituir, mas esse mente mesmo!

Vamos ser sinceros: uma pessoa com deficiência é deficiente! Ninguém está o chamando de burro, ou incapaz. E o negro, deixa de ser negro porque é afro-descendente? Lembro de uma entrevistada do Programa Sem Censura, da TVE que frisou: "Não, imagina?! Eu sou cega, sim. Não precisa me chamar de deficiente visual".

Quando eu ficar velhinho, se assim Deus permitir, podem ter certeza que não vou considerar aquela a melhor idade.

20 comentários:

Breno Barros disse...

concordo plenamente. 'melhor idade' chega a ser hipocrita.. /// sales dantas, falando de "a pessoa é para o que nasce': "o filme eh sobre tres deficientes visuais lindas" /// de certa forma teus posts me lembram meus antigos posts

bRuno

Breno Barros disse...

Hum gostei, interessante seu texto. Preconceito existe independente da denominação que se dá, então se uma pessoa quer ser preconceituosa pode falar palavras agradáveis como for, o preconceito está dentro de si e isso não muda. Tenha uma ótima páscoa, xerinho ;*

Luedja

Breno Barros disse...

Li mais uns textinho aí em baixo, posso né? #)Esse do Chico Buarque adorei, muito bom ;)

Luedja

Breno Barros disse...

Como editora, substituo todas essas expressões inócuas pelas reais. Pior é quando elas resvalam para o racismo velado. Quando se referem a minha irmã como moreninha, ela sempre lembra: não, sou negra mesmo. Todo mundo acha que a cor é um elemento prejudicial para seu dono, quanto mais escuro ele for.

Dina

Breno Barros disse...

eh hors (e nao "hours") concours

bRuno

Breno Barros disse...

É o samba do afro-descendente portador de deficiência mental.

Andrei | Homepage

Breno Barros disse...

ahhahaha Boa, Andrei.. Breno, eu citaria também "individuo portador de hanseníase", ao invés do bíblico "leproso". Lembrei daquela cartilha do Governo com novas expressões a serem adotadas.. Essa foi daquele tipo de idéia que já nasce morta. "Nunca na história desse país" houve uma sandice dessas. Uma mancada federal, em todos os sentidos.

Luís

Breno Barros disse...

Tentar controlar a língua, a expressão popular, é uma das formas mais absurdas de autoritarismo moderno. E não funciona. A língua não existe. Palavras impressas num dicionário estão mortas. Onde foi parar o senso de humor? As melhores palavras que temos são as palavras que exprimem emoções intensas. São tão verdadeiras que incomodam. São subversivas. O politicamente correto quer que usemos palavras vazias, que não têm significado algum. Isto está de acordo com o ideal de que todas as pessoas comportem-se de acordo com um padrão, que não reajam, que cumpram o seu papel, que sigam as regras. É uma forma de dominação. A língua viva não aceita regras. Não há palavras mais intensas e poéticas que as que foram rotuladas de palavrões, e todo mundo os usa, ou reprime. Essas cartilhas de politicamente correto só não são mais ridículas que as reformas ortográficas e a criação de leis absurdas como aquela do Aldo Rabelo.

Helder da Rocha | Homepage

Breno Barros disse...

Onde "deficiente" é politicamente correto? Diga "indivíduo com necessidades especiais" /// Se o racismo e o preconceito fosse resolvido com palavras até que valeria o esforço, mas...

Mythus | Homepage

Breno Barros disse...

Andrei tava inspirado neste comentário.

Dina

Breno Barros disse...

Ola Breno, agradeço tua mensagem lá no meu site. Legal que gostas do meu trabalho pois tento fazer o melhor.
Cara, eu lendo esse post, me lembrei de uma entrevista que eu li de uma das coordenadoras de uma associação de prostitutas, acho que de São Paulo, dizendo que "puta" não é palavrão, e que o que deveria ser mudado é o contexto em que se utiliza as palavras, e não as palavras em si...bem, foi mais ou menos isso. Não lembro bem...hehe.
abs

Daniel Lafayette | Homepage

Breno Barros disse...

Ajuede-me, pelo menos, a descobrir este mistério:
http://jacksonangelo.blogspot.com/2006/04/dia-da-amizade-x-dia-do-amigo.html
Recebe, pelo menos, o fim daquele post:
"O abraço é mais que uma ação. é uma emoção, já que podemos transmitir e perceber o sentimento do outro através desse toque tão magico." Ana Paula de Oliveira - São José dos Campos - SP
"Gostar sinceramente de quem o recebe, estreitar os laços de amor e amizade, e sentir-se menos sozinho no mundo". Carla de Conto - São Bento do Sul - SC
Abra bem os braços, receba um ABRAÇO QUENTE, FORTE, GENEROSO de Jesus Cristo.

Jackson | Homepage

Breno Barros disse...

eu era mais um abraço de scarlet johansson do q um de jesus cristo..

brunO

Breno Barros disse...

tu acha q chamar um homem de macaco é politicamente correto com o macaco?

ailton | Homepage

Breno Barros disse...

Bruno já já vai fazer companhia a Alexandre, de A Viagem.

Dina

Breno Barros disse...

dina, isso eh viagem

brUNo

Breno Barros disse...

Boa, Breno. Hoje mesmo fui escrever sobre um grupo de idosos, quer dizer, um grupo da melhor idade, quer dizer, um grupo de terceira idade... esse povo fica tão neurótico com as denominações! Parece tudo sequelado!

Zabella

Breno Barros disse...

e se uma pessoa é gorda ela é "forte", "cheinha"..

PauLa

Breno Barros disse...

e se uma pessoa é gorda ela é "forte", "cheinha"..

PauLa

Breno Barros disse...

Essas expressões soam com uma falsidade tremenda, né? Pq aí a gente pré supõe que a pessoa pensou antes de falar, ficou com medo de ser tida como preconceituosa... Um dia desses tava lendo na Isto É sobre essa besteiras, acho ridículo tentar 'controlar' a língua dessa maneira.

Dani® | Homepage