terça-feira, 11 de maio de 2010

Gays: um ponto de vista

Na edição da Veja dessa semana, uma capa sobre ser jovem e gay. Tenho amigos gays e não me omito sobre o tema quando o assunto é abordado. Costumo dizer que todos os gays que conheço dizem que nasceram gays, mas eu discordo deles porque entendo a opção sexual como algo mais complexo que vai além de uma condição biológica. Aliás, algo como um gene gay é algo em que não creio.

Sexualidade para mim é comportamento social. Uma série de acontecimentos ao longo da vida conduz nosso comportamento. São escolhas pessoais que são permeadas pelo modo que cada um vive. Freud nos dá a noção que o ser humano tem capacidade de se envolver afetivamente - eroticamente - com o feminino e o masculino independente de que sexo a biologia tenha lhe conferido.

Eu, por exemplo, nasci homem e ao longo da minha vida fiz escolhas que me levaram a me interessar afetivamente por mulheres. O contexto social fez parte dessas escolhas. Amigos, religião, educação, vivências que construiram a minha personalidade. A sexualidade independe das vivências?

Alguns gays não aceitam a teoria da escolha. Me dizem: "Você acha que eu ia escolher uma coisa ruim para mim?" Andei pensando sobre isso e hoje digo: Acho que sim. Primeiro porque fazemos mil escolhas na vida que são mesmo ruins para nós e às vezes temos plena consciência de que a escolha é ruim, mas mantemos a atitude. Segundo porque quem diz que ser gay é ruim se refere a uma parte de ser gay. Pensa-se em preconceito, frustração dos pais, desilusões amorosas, angústia interior. Enfim, acentuam o lado que lhes traz sofrimento. Não existe nada além disso?

Sexualidade é um tema complexo e evidente que tão poucas linhas nem de longe encerram o assunto. Mas me vejo no direito de expressar meu ponto de vista ainda que incomode segmentos da militância gay. Aliás, diga-se: há muitos equívocos na maioria dos movimentos sociais e isso rende uma tonelada de discussão. No entanto, qualquer que seja sua ideia sobre homossexualismo, nada justifica a violência, a homofobia, o desrespeito, a exclusão e tantas outras coisas vergonhosas para seres que se dizem humanos.

11 comentários:

................................ disse...

Caro Breno
Muito boa sua postura de não se omitir sobre os fenômenos que estão a nossa volta e que, de certo modo, não deixam de interferir em nossa vida. Seu texto sobre os gays está muito bom, com uma visão equilibrada quanto ao respeito humano que se deve ter por todas as pessoas. Quanto ao conceito, de que não se nasce gay, escolhe-se sê-lo, há muita controvérsia a respeito e nenhuma certeza. As teorias da origem da homossexualidade são muitas e nenhuma conclusiva. Pra mim, esse é o único ponto que não fica claro em seu texto, mas que é, claro, compreensível.
Ah, não se diz mais "homossexualismo", mas "homossexualidade".
Abraço, Henrique Magalhães

Joseilton disse...

Concordo com você, Breno. Abraços do Ikeda.

.ailton. disse...

"Eu, por exemplo, nasci homem e ao longo da minha vida fiz escolhas que me levaram a me interessar afetivamente por mulheres."

Fala sério. E o caso que vc teve com o paulinho não conta?

Breno Barros disse...

Tonton, casos fictícios imaginados por amigos mentalmente perturbados contam só no Mundo das Ideias. =)

.ailton. disse...

Esse seu comentário ficou meio gay.

.ailton. disse...

Aliás, esse negócio de Mundo das Ideias é gay. Assim como Platão era gay.

Suelen Ramos disse...

Tonton.. hahaha
Muito bom!!

Dina disse...

Peraí, e Tonhão?

::: Luís Venceslau disse...

Não acho q a homoafetividade (é assim q se fala agora, não é mais homossexualidade) seja resultado de escolhas racionais, pensadas. No meu entender é algo com oq se nasce, é um comportamento natural mesmo, q sempre existiu na história da humanidade. Ninguém decide "vou ter interesse nisso a partir de agora". Ou tem ou não tem, é só questão de se dar conta disso. Uma hora vc percebe q gosta disso e não daquilo, e pronto. Pra mim, mais do q criação, convívio e vivências, o direcionamento sexual é algo genético mesmo.

Taty Valéria disse...

Breno meu querido amigo,
Tratar a homoafetividade como coisa ruim depende muito de quem fala. De como o indivíduo enxerga a própria existência e os tabus que lhe foram empurrados goela adentro.
Me parece que os comentários que vc recebeu,pelo menos a grande parte deles,partem de pessoas que compartilham da mesma forma de preconceito e ignorância, e quando falo em ignorância, é no sentido de desconhecer.
Aceitar a sexualidade alheia não significa a mudança da sua.
Acho que esse texto caberia melhor no seu outro blog, "Coisas de crente".

Krystine Carneiro disse...

Também acho improvável que exista um
"gene de opção sexual", afinal, é uma opção!
Mas apesar de tudo, amor deve ser o único tratamento dado a qualquer ser humano! Homofobia é burrice (parafraseando Gabriel, o Pensador).