Telejornais. O que seria de nós sem eles? Embora a internet tenha acrescentado uma dinâmica às informações que nem os maiores fãs do rádio se atrevem a negar, é o telejornal ainda o grande meio de convencimento da maioria da população. E a população precisa ser convencida de quê? Pausa dramática.
A população precisa ser convencida de que está vendo alguma coisa interessante na TV. Precisa ser convencida que aquelas informações vão repercutir na vida delas de alguma maneira. Precisa acreditar no que está vendo. Isso já foi missão mais fácil. É claro que ainda não está tão difícil porque a leitura crítica da mídia mal saiu do berço, engatinha com dificuldades.
Já foi mais fácil também porque não havia a concorrência com a internet e o fenômeno das redes sociais. Embora o noticiário do rádio gozasse de uma enorme audiência quando Chatô trouxe a TV pra cá, o telejornal criou uma expectativa diferenciada da informação no imaginário brasileiro facilitando bastante a conquista da audiência.
A dificuldade agora é gerenciar a informação. Produzir conteúdo é moleza. Uma câmera na mão e nenhuma ideia na cabeça basta. Tornar o telejornal um programa interessante, com leitura crítica dos fatos e amplitude de cobertura naqueles minutinhos diários que ele dispõe é que são elas!
Se bem que minutinhos não seria o termo certo. De certa forma, há bastante tempo na grade para telejornais. Fico atônito com a extensão das matérias sobre a visita do Papa Francisco ao Brasil. Não tenho intenção de criticar o Papa, a religião católica, ou qualquer coisa do tipo. Só cito um exemplo de como se gasta o tempo do jornal pra dizer que ele andou de carro aberto ou de carro fechado, que acenou e sorriu.
Há mil outros exemplos de pautas repetidas, cansativas, fórmulas que os produtores de TV acreditam dogmaticamente que dão certo e jogam para o consumidor toda semana. Espero firmemente que um dia a TV perceba que ao romper com alguns clichês - como a matéria bonitinha pra fechar a edição - abrirá espaço para outros olhares e modos de compor sua programação. Acreditem em mim: sucesso de audiência é como o troco do poeta, pouco ou quase nada.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
domingo, 21 de abril de 2013
Euforia pra escrever
Os dedos coçam pra escrever. Na verdade quem coça é a cabeça que fica maluca pra deixar alguma coisa registrada. Registrada pra quem? Pra quê? Pra quem quer que leia! Não dá pra prever, mas dá pra imaginar que alguém vai ler e se identificar.
Esse blog definitivamente não é periódico. A não ser que alguém quisesse folhear o arquivo desses anos todos, entrar aqui diariamente seria um exercício bastante inútil. Mas o fato é que não esqueço nunca que sou jornalista e que tenho um blog. Lido ou não toco essa bagaça como quero.
Como quero não é exatamente o mesmo que dizer tudo o que quero. Penso nos leitores, penso na minha reputação. Dizer tudo o que quer pode ser uma grande besteira ou mesmo uma ofensa. A internet, a despeito do que muita gente pensa, não é uma Terra de Ninguém onde vale tudo.
Escrevo. Às vezes apago. Escolho melhor as palavras. Reviso, vejo se passou algum errinho na digitação. Releio. Melhor que posar de sabichão e derrapar feio. Se derrapar, me avise por favor!
Juro que pensei em mil outras coisas pra escrever aqui. Não ia falar nada sobre o ato de escrever. Mas pensei nos meses de silêncio e nessa pulsação de estar aqui sem dormir, eufórico, com um compromisso daqui a poucas horas (é madrugada agora!). Tinha que falar sobre isso. Fica pra outro dia comentar qualquer outra coisa como o terrorismo, os atentados, o julgamento dos policiais do Massacre do Carandiru, o tomate, a Copa, Feliciano ou sei lá o quê.
Esse blog definitivamente não é periódico. A não ser que alguém quisesse folhear o arquivo desses anos todos, entrar aqui diariamente seria um exercício bastante inútil. Mas o fato é que não esqueço nunca que sou jornalista e que tenho um blog. Lido ou não toco essa bagaça como quero.
Como quero não é exatamente o mesmo que dizer tudo o que quero. Penso nos leitores, penso na minha reputação. Dizer tudo o que quer pode ser uma grande besteira ou mesmo uma ofensa. A internet, a despeito do que muita gente pensa, não é uma Terra de Ninguém onde vale tudo.
Escrevo. Às vezes apago. Escolho melhor as palavras. Reviso, vejo se passou algum errinho na digitação. Releio. Melhor que posar de sabichão e derrapar feio. Se derrapar, me avise por favor!
Juro que pensei em mil outras coisas pra escrever aqui. Não ia falar nada sobre o ato de escrever. Mas pensei nos meses de silêncio e nessa pulsação de estar aqui sem dormir, eufórico, com um compromisso daqui a poucas horas (é madrugada agora!). Tinha que falar sobre isso. Fica pra outro dia comentar qualquer outra coisa como o terrorismo, os atentados, o julgamento dos policiais do Massacre do Carandiru, o tomate, a Copa, Feliciano ou sei lá o quê.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Por um desobedecer necessário
Tenho pensado sobre violência, respeito às autoridades e liberdade. Somos violentos. Existe em nós um desejo de ver a nossa vontade ser realizada, ainda que ela interfira na vontade alheia. Para isso usamos as vias necessárias, de preferência as lícitas, afinal ninguém quer ser preso! Se não nos ouvirem, insistiremos. Se estiver difícil, usaremos a boa e velha violência.
Não há um só tipo de violência. Ela se veste de várias cores. A violência é antiga, mas não parou no tempo. Está atualizada, por dentro das tendências, leu o Segundo Caderno e a coluna de Economia. Exuberante, a violência diz que é formadora de opinião e que agirá com rigor para cumprir o seu dever.
A violência sabe tudo sobre direito, moral e bons costumes. Hierarquia é com ela mesma! E autoridade é pra se respeitar! Será?
A violência é senhora ou serva? Senhora de quem? A quem serve? É certo que uma sociedade sem autoridade não parece compatível com a realidade humana. É preciso se opor aos que rejeitam o bem comum. Mas o Estado, que deveria coagir os que prejudicam esta busca pelo bem comum, extrapola a dose de violência, cria uma confusão entre poder de polícia e poder da polícia.
Entre as razões de ser da polícia está a garantia da incolumidade, palavra difícil para dizer que as pessoas não sejam lesionadas, estejam ilesas, seguras e sadias. A ordem expressa de um policial pode ser desobedecida? Ao que me parece, desobedecer o que diz um policial é arriscar aquela mesma incolumidade que ele está ali para proteger.
A liberdade condicionada à obediência cega ao comando de um policial não me parece liberdade. Não desejo liberdade absoluta e irrestrita, mas acredito em um diálogo possível entre autoridade e liberdade. Não acredito em "missão dada é missão cumprida". Prefiro as perguntas e as possibilidades de resposta. Um desobedecer pode ser a solução nas mais diversas formas hierarquia e poder.
Não há um só tipo de violência. Ela se veste de várias cores. A violência é antiga, mas não parou no tempo. Está atualizada, por dentro das tendências, leu o Segundo Caderno e a coluna de Economia. Exuberante, a violência diz que é formadora de opinião e que agirá com rigor para cumprir o seu dever.
A violência sabe tudo sobre direito, moral e bons costumes. Hierarquia é com ela mesma! E autoridade é pra se respeitar! Será?
A violência é senhora ou serva? Senhora de quem? A quem serve? É certo que uma sociedade sem autoridade não parece compatível com a realidade humana. É preciso se opor aos que rejeitam o bem comum. Mas o Estado, que deveria coagir os que prejudicam esta busca pelo bem comum, extrapola a dose de violência, cria uma confusão entre poder de polícia e poder da polícia.
Entre as razões de ser da polícia está a garantia da incolumidade, palavra difícil para dizer que as pessoas não sejam lesionadas, estejam ilesas, seguras e sadias. A ordem expressa de um policial pode ser desobedecida? Ao que me parece, desobedecer o que diz um policial é arriscar aquela mesma incolumidade que ele está ali para proteger.
A liberdade condicionada à obediência cega ao comando de um policial não me parece liberdade. Não desejo liberdade absoluta e irrestrita, mas acredito em um diálogo possível entre autoridade e liberdade. Não acredito em "missão dada é missão cumprida". Prefiro as perguntas e as possibilidades de resposta. Um desobedecer pode ser a solução nas mais diversas formas hierarquia e poder.
domingo, 26 de agosto de 2012
"Candidato inexistente". Confirma!
Respeito as opiniões divergentes, mas não me furto do direito de anular meu voto. Quando voto nulo digo a mim e aos que me perguntam que dentre os candidatos que se dispuseram àquele cargo, nenhum é digno de minha escolha. A urna me diz: "Candidato inexistente". Aperto em "confirma", reconhecendo aquilo como verdade.
- E se todos votasse nulo, como ficaria o Executivo e o Legislativo?
Isso é utopia, nunca aconteceria. Mas vale como exercício filosófico. Se todos votassem nulo, todos empatariam e ninguém poderia assumir o cargo, salvo algum critério de desempate, idade, por exemplo. Esse eleito provocaria uma comoção geral que faria todos questionarem o sistema. Que democracia é essa em que o povo perdeu completamente a esperança? Acredito que seria moralmente devastador e revolucionário. A quantidade de votos nulos para o Senado nas eleições de 2010 foi um recado importante. Espero que mais pessoas saibam lê-lo.
- Vai acabar sendo eleito o pior.
Sobre piores e melhores: sucatearam nossa democracia a ponto de elegermos o menos ruim ou o que tem cacife eleitoral. Os partidos fazem coligações das mais incoerentes, sem ideologia, sem política pública, repetindo apenas uma política de poder. Mesmo as lideranças sérias acabam como fantoches dos interesses desses caciques. Há quem não anule o voto e escolha um "nanico" para votar. Na prática, nas eleições majoritárias, votou no segundo mais votado que sempre é um cacique ou alguém a serviço de um cacique. Acredito que a culpa seja do sistema de eleições e isso passa por todo o processo democrático: desde a formação de partidos, financiamento de campanha, escolha dos candidatos, validade dos votos nulos, possibilidade de reeleição e muito mais.
- E se todos votasse nulo, como ficaria o Executivo e o Legislativo?
Isso é utopia, nunca aconteceria. Mas vale como exercício filosófico. Se todos votassem nulo, todos empatariam e ninguém poderia assumir o cargo, salvo algum critério de desempate, idade, por exemplo. Esse eleito provocaria uma comoção geral que faria todos questionarem o sistema. Que democracia é essa em que o povo perdeu completamente a esperança? Acredito que seria moralmente devastador e revolucionário. A quantidade de votos nulos para o Senado nas eleições de 2010 foi um recado importante. Espero que mais pessoas saibam lê-lo.
- Vai acabar sendo eleito o pior.
Sobre piores e melhores: sucatearam nossa democracia a ponto de elegermos o menos ruim ou o que tem cacife eleitoral. Os partidos fazem coligações das mais incoerentes, sem ideologia, sem política pública, repetindo apenas uma política de poder. Mesmo as lideranças sérias acabam como fantoches dos interesses desses caciques. Há quem não anule o voto e escolha um "nanico" para votar. Na prática, nas eleições majoritárias, votou no segundo mais votado que sempre é um cacique ou alguém a serviço de um cacique. Acredito que a culpa seja do sistema de eleições e isso passa por todo o processo democrático: desde a formação de partidos, financiamento de campanha, escolha dos candidatos, validade dos votos nulos, possibilidade de reeleição e muito mais.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Tintim por tintim da malandragem
Navegar é preciso, ser sacaneado não é preciso. Já faz um bom tempo que a TIM me sacaneia com um péssimo serviço de conexão 3G. Quando contratei com eles em fevereiro deste ano era o ouro! Funcionava que era uma maravilha! Eu que havia ficado dois anos e meio sem internet neste pedaço ainda desprovido de cabo do mundo, que é Intermares, estava soltando fogos com a possibilidade de poder navegar no meu apartamento.
Clichês sejam ditos, o que é bom dura pouco. Acho que já no segundo ou terceiro mês a conexão piorou sensivelmente. O buraco foi ficando mais fundo ao ponto de sequer carregar o Gmail ser possível! Colocar fotos no Facebook, então, nem em sonho!
Reclamei no 1056, atendimento da TIM. Seguindo a orientação da atendente fiz um malabarismo composto por: retirar modem, retirar chip do modem, reiniciar o PC, colocar chip e modem de volta, porém em outra porta USB e finalmente voltar a navegar. Ficou bom. Durante 30 minutos! Depois voltou a ficar como costuma: uma bosta! Com o perdão da palavra bosta.
Ah, como eu queria ter saco e brigar no Procon por ressarcimento! Mas onde moro a única opção é o 3G e, ao que me parece, todos são ruins como a TIM. O que fazer? Já sei! Vou xingar muito no Twitter! Se a TIM deixar... =/
Clichês sejam ditos, o que é bom dura pouco. Acho que já no segundo ou terceiro mês a conexão piorou sensivelmente. O buraco foi ficando mais fundo ao ponto de sequer carregar o Gmail ser possível! Colocar fotos no Facebook, então, nem em sonho!
Reclamei no 1056, atendimento da TIM. Seguindo a orientação da atendente fiz um malabarismo composto por: retirar modem, retirar chip do modem, reiniciar o PC, colocar chip e modem de volta, porém em outra porta USB e finalmente voltar a navegar. Ficou bom. Durante 30 minutos! Depois voltou a ficar como costuma: uma bosta! Com o perdão da palavra bosta.
Ah, como eu queria ter saco e brigar no Procon por ressarcimento! Mas onde moro a única opção é o 3G e, ao que me parece, todos são ruins como a TIM. O que fazer? Já sei! Vou xingar muito no Twitter! Se a TIM deixar... =/
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Bem na fita
Tenho pensado cá com os meus botões em como a imagem tem muito mais valor do que a essência em nossa sociedade. O corpo, as roupas, o que se vê é o que buscamos e valorizamos. Pode ser que essa reflexão tenha surgido por causa de um maldito terçol que me apareceu essa semana. Detesto exibi-lo.
O fato é que pra ficar bem na fita não exibimos nossas fraquezas, temos pavor de doenças - mesmo as não contagiosas, como esse miserável terçol, procuramos aquela roupa certa porque supomos que as pessoas estão nos vendo e não nos aprovarão se a aparência não estiver adequada. Não seria um direito nosso o de estar feio?
Quando estaremos em uma sociedade que se preocupa mais com o essencial? Será que um dia isso será possível? O homem não seria vaidoso em sua essência, daí a impossibilidade de existir um futuro assim?
Talvez não seja o caso de romper com os paradigmas históricos da sociedade, mas individualmente tentar vivenciar a busca pela essência. Buscar a atitude do Criador quando disse ao profeta Samuel: "Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração". (I Samuel 16:7)
O fato é que pra ficar bem na fita não exibimos nossas fraquezas, temos pavor de doenças - mesmo as não contagiosas, como esse miserável terçol, procuramos aquela roupa certa porque supomos que as pessoas estão nos vendo e não nos aprovarão se a aparência não estiver adequada. Não seria um direito nosso o de estar feio?
Quando estaremos em uma sociedade que se preocupa mais com o essencial? Será que um dia isso será possível? O homem não seria vaidoso em sua essência, daí a impossibilidade de existir um futuro assim?
Talvez não seja o caso de romper com os paradigmas históricos da sociedade, mas individualmente tentar vivenciar a busca pela essência. Buscar a atitude do Criador quando disse ao profeta Samuel: "Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração". (I Samuel 16:7)
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Três perguntas para a educação
A sala de aula é um mundo. Em tese, um espaço de ensino-aprendizagem, com estudantes e professores. Entre a proposta da educação institucionalizada e a realização da proposta há uma distância considerável. Vamos considerar alguns pontos:
Quem é o professor? O que fazem lá os estudantes? A quem serve o sistema?
Minhas respostas a essas perguntas não encerram questão alguma, mas aí vai um pouco de opinião tendo em vista minha prática de ensino (sou professor de Artes - Música em uma escola municipal de João Pessoa).
O professor é um profissional treinado em uma instituição de ensino superior ou equivalente ao conteúdo ministrado. Ele trabalha para conduzir o estudante pelo universo complexo do conhecimento. Seu salário é mais baixo do que deveria ser, seja professor de uma escola pública ou de uma escola privada.
O professor enfrenta a opressão da escola, que exige resultados e lida com as dificuldades de ensinar um grupo heterogêneo em vários aspectos. Alguns aprendem com facilidade, outros não, no entanto, a aula não pode ser individual.
Os estudantes são muito diferentes entre si, embora tenham coisas em comum. Cada um carrega sua história de vida, temperamento, vida doméstica, participação ou ausência dos pais. Eles são obrigados a aprender o conteúdo oferecido, ainda que prefiram outros assuntos.
Também estão limitados a um calendário escolar, com a agenda semanal de aulas. Eles não escolhem os colegas de sala, antes são inseridos onde quer que lhes coloquem. Embora exista a crença que estão na escola essencialmente para aprender, eu diria que estão muito mais cumprindo uma etapa da vida do que necessariamente aprendendo.
E o sistema? A quem serve? O sistema é profissionalizante. Mesmo que o ensino permeie uma proposta cidadã, libertária, não podemos perder de vista que atende à necessidade de "domesticar" os espíritos para que se adequem a uma vida em sociedade. E que sociedade é esta? Como diria Zé Ramalho sobre a Terceira Lâmina: é aquela que fere! É a sociedade que limita o ser humano à condição de trabalhador/consumidor.
O ser humano tem que trabalhar para que seu país cresça(?). Crescer é o mesmo que ter uma economia forte, que atende aos interesses da classe dominante. Nesse sentido, a escola está aí para preparar esses futuros trabalhadores, que saberão multiplicar o lucro e receberão um salário por isso. E assim, o dinheiro fará todos felizes. O que mais importa?
Resignificar tudo isso é o que mais importa.
Quem é o professor? O que fazem lá os estudantes? A quem serve o sistema?
Minhas respostas a essas perguntas não encerram questão alguma, mas aí vai um pouco de opinião tendo em vista minha prática de ensino (sou professor de Artes - Música em uma escola municipal de João Pessoa).
O professor é um profissional treinado em uma instituição de ensino superior ou equivalente ao conteúdo ministrado. Ele trabalha para conduzir o estudante pelo universo complexo do conhecimento. Seu salário é mais baixo do que deveria ser, seja professor de uma escola pública ou de uma escola privada.
O professor enfrenta a opressão da escola, que exige resultados e lida com as dificuldades de ensinar um grupo heterogêneo em vários aspectos. Alguns aprendem com facilidade, outros não, no entanto, a aula não pode ser individual.
Os estudantes são muito diferentes entre si, embora tenham coisas em comum. Cada um carrega sua história de vida, temperamento, vida doméstica, participação ou ausência dos pais. Eles são obrigados a aprender o conteúdo oferecido, ainda que prefiram outros assuntos.
Também estão limitados a um calendário escolar, com a agenda semanal de aulas. Eles não escolhem os colegas de sala, antes são inseridos onde quer que lhes coloquem. Embora exista a crença que estão na escola essencialmente para aprender, eu diria que estão muito mais cumprindo uma etapa da vida do que necessariamente aprendendo.
E o sistema? A quem serve? O sistema é profissionalizante. Mesmo que o ensino permeie uma proposta cidadã, libertária, não podemos perder de vista que atende à necessidade de "domesticar" os espíritos para que se adequem a uma vida em sociedade. E que sociedade é esta? Como diria Zé Ramalho sobre a Terceira Lâmina: é aquela que fere! É a sociedade que limita o ser humano à condição de trabalhador/consumidor.
O ser humano tem que trabalhar para que seu país cresça(?). Crescer é o mesmo que ter uma economia forte, que atende aos interesses da classe dominante. Nesse sentido, a escola está aí para preparar esses futuros trabalhadores, que saberão multiplicar o lucro e receberão um salário por isso. E assim, o dinheiro fará todos felizes. O que mais importa?
Resignificar tudo isso é o que mais importa.
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