domingo, 18 de dezembro de 2005
Maldade inata
O que leva uma pessoa a ser má? Por que, mesmo em condições semelhantes de vida social e educação, dois indivíduos apresentam posturas opostas?
Defendo a tese que o mal existe dentro do homem desde a sua geração. Que existe uma pré-moldura não completamente rígida, mas com indícios específicos da personalidade que podem ser acentuados ou minimizados.
Dessa forma, entendo que mesmo as crianças tem instintos maus e que, apesar de não avaliar as conseqüências completas de seus atos, elas desejam retribuir o que lhe fazem. O discernimento do bem e do mal não lhes é claro, o que não significa que não haja intenção de fazer um ou outro.
Para mim, é como se Deus tivesse distribuído um pacote de personalidades e temperamentos para a humanidade. Cada pessoa recebeu um, resta saber o que ela fará com o que tem.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2005
Rememorando o XI Fenart (Parte II)
"Por 15 dinheiros" e "O fim do mundo"
A mostra competitiva de videos é um espetáculo a parte do Fenart. Começando pela coordenação que nos surpreende todos os anos com exclusão de alguns videos e a seleção de outros que se adequariam mais a um evento universitário do que a um festival nacional.
Esse ano a ficção "O gosto de ferrugem", de J. Audaci Jr, selecionado na mostra paralela de Gramado (RS) e no Dcine (PR), foi barrado em seu próprio estado. Em contrapartida, "Penélope", produção carioca de Célia Freitas que disputava a mesma categoria, entrou. O contraste de qualidade é explícito. Não sei o que eles beberam.
"O meio do mundo", filme de curta-metragem do paraibano Marcus Vilar, exibido na primeira noite da Mostra de Cinema e Video poderia receber outro nome. Sugiro "O fim do mundo". Não pelo lugar afastado onde os personagens habitam, mas porque o menino que vai "conhecer o que é a vida" tem que apelar pra São Jorge, santo experiente com aquele tipo de criatura!
Quanto ao longa-metragem paraibano mais "de rosca"* da história, "Por 30 dinheiros", de Vânia Perazzo, não há muito o que comentar. Dos 30, só vi 15! O filme não era de boxe, mas me nocauteou. A maioria das piadas eu já tinha lido na internet. Eu daria uma enxugada grande em algumas cenas. Fico surpreso com o quanto algumas tomadas foram alongadas. Será que quem editou estava achando a cena engraçada? Cada cabeça uma sentença!
Os heróis que ficaram até o fim da sessão agraciaram a equipe presente com "palmas plastificadas", como definiu meu amigo Jãmarri Nogueira.
*A expressão refere-se a demora em ficar pronto. O que não foi culpa de Vânia.
terça-feira, 29 de novembro de 2005
Entretexto
Ainda não escrevi a parte II do "Rememorando o XI Fenart", mas pra afastar as teias colo aqui uma saudação "pré-boas festas" de um e-migo que conheci na comunidade "Só no Trocadilho".
O Perdido na Metrópole, rei do trocadilho tosco, catedrático em "redundância redundante", doutor em urucubaca, graduado nos terreiros de Oxford, Harvard e São Bernardo do Campo com pós em artes cínicas, defensor das "minorias de maior número", analista de política, entre outros assuntos humorísticos...
Deseja-lhes de coração um Natal repleto de Paz e Alegria e um super mega hiper ultra máster bláster pluss advanced maravilhoso e excelentemente fantástico 2006!
Um forte abraço de Silvio Alvarez
O Perdido na Metrópole
www.perdidonametropole.zip.net
terça-feira, 15 de novembro de 2005
Rememorando o XI Fenart (Parte I)
O Fenart terminou e o teto não caiu. Depois da pressão do Crea-PB em condenar o local às vésperas da abertura, inclusive recomendando que as pessoas sequer caminhassem pela calçada externa porque o risco de desabar era iminente, o governo bateu o pé, chamou seus engenheiros e aprovou tudo. Até imagino a cena. "Essa viga tá parecendo uma peneira de coco ralado, mas não cai, não. Ok!".
Lembro do dia em que eu estava ensaiando com o Coral Universitário no Cine Bangüê e - literalmente - uma cascata começou a jorrar na lateral direita do palco. Por pouco não pegou o piano. Imagino que um bolsão de água acumulado na cobertura do Espaço Cultural encontrou em fim sua saída.
Mas deixando a forma de lado e discutindo o conteúdo, aproveitei pouco do XI Fenart. O primeiro dia que pude ir foi na segunda-feira (7) e ainda assim cheguei atrasado ao ótimo show "Contrabaixisto". Xisto Medeiros é gênio no contrabaixo acústico e excelente no elétrico. Pena que não o vi tocando o tradicional. Como cantor não achei lá essas coisas. Ficou devendo. Um repertório bom como aquele merecia o convite a um intérprete.
A atração seguinte superou a primeira. Carlos Malta e Quinteto Uirapuru foram impecáveis. Fiquei pensando que instrumento de sopro Malta não saberia tocar. A desenvoltura é plena em todos os que o vi utilizar. Inclusive com um pife ou flauta de madeira transversa que usou durante uma entrevista ao Zuada, da TV UFPB.
O Quinteto Uirapuru, que costumava ter a formação tradicional de cordas (dois violinos, uma viola, um violoncelo e um contrabaixo) substituiu o violoncelo pelo fagote, um instrumento de sopro pouco conhecido, com timbre grave que acho sensacional. Já o conhecia porque o regente do Coral da UFPB, Eduardo Nóbrega, é fagotista e o ouvi em apresentações ao vivo e no CD do Quinteto Itacoatiara. O som do fagote parece um pouco com a voz dos adultos nas dublagens dos desenhos do Snoopy.
Como o dia seguinte era "de branco" só aproveitei isso mesmo. Na próxima parte falo da Mostra Competitiva de Vídeos.
sexta-feira, 28 de outubro de 2005
Insônia. De novo?
Terminei de escutar o CD de Alceu Valença da coleção Obras Primas. Estava tentando adormecer enquanto viajava nos arranjos e melodias. Não deu jeito. Antes disso, fui perturbado pela lembrança do casal que matou uma família inteira no Conde, na semana passada.
Ontem escutei o relato do crime, contado pelos acusados. A cena é dantesca. O horror da menina de 11 anos, que deve ter ouvido o irmão morrer e depois ficou sozinha no quarto com o assassino é algo insondável. A frieza é desumana.
Não consegui pregar os olhos porque lembrava da imagem. Lembro que, durante o expediente de ontem, na redação do Correio, fiquei com o estômago embrulhado visualizando a cena. Fui interrompido pelo e-mail de um colega de trabalho com um trocadilho barato que me fez rir.
Mas na madrugada de hoje, quando não há quase nenhum ruído presente a não ser o roer do ponteiro dos segundos, minha mente traz de volta o filme do dia. Queria poder fechar os olhos agora e abrir somente às 7h40. Umas cinco horas bem dormidas fariam toda a diferença em uma sexta-feira.
terça-feira, 4 de outubro de 2005
Veja dá tiro pela culatra!
Ridícula a matéria de capa da edição da Veja desta semana (1921), "7 razões para votar NÃO". Os argumentos fajutos responsabilizam a ineficácia da polícia no combate ao crime como fator determinante para a violência - o que é sem dúvida uma verdade -, mas associam isso ao referendo, que definirá se a maioria dos brasileiros querem ou não que o comércio de armas e munição continue.
O texto chega ao absurdo de dizer que se o sim vencer, a criminalidade continuará e o povo se sentirá culpado por ela. Seguinte a essa citação, faz um paralelo com a angústia sentida pelos pacientes com câncer quando se dizia que a doença se desenvolvia em sujeitos amargos?!
Segundo os jornalistas de Veja, o governo tenta desviar o foco transferindo ao povo a responsabilidade pela segurança pública e cita exemplos de outros países para mostrar que a violência não está relacionada à venda de armas.
A pergunta do referendo é digna de ser criticada. Veja vai além: comete o mesmo erro na direção inversa e em proporção exagerada. Propõe que se subtitua "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?" por "O Estado brasileiro pode tirar o direito das pessoas de comprar uma arma de fogo?"?!
As forças policiais do Brasil estão contaminadas por corruptos, mas isso não impede que a população brasileira possa opinar sobre a venda de armas e munição.
O texto chega ao absurdo de dizer que se o sim vencer, a criminalidade continuará e o povo se sentirá culpado por ela. Seguinte a essa citação, faz um paralelo com a angústia sentida pelos pacientes com câncer quando se dizia que a doença se desenvolvia em sujeitos amargos?!
Segundo os jornalistas de Veja, o governo tenta desviar o foco transferindo ao povo a responsabilidade pela segurança pública e cita exemplos de outros países para mostrar que a violência não está relacionada à venda de armas.
A pergunta do referendo é digna de ser criticada. Veja vai além: comete o mesmo erro na direção inversa e em proporção exagerada. Propõe que se subtitua "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?" por "O Estado brasileiro pode tirar o direito das pessoas de comprar uma arma de fogo?"?!
As forças policiais do Brasil estão contaminadas por corruptos, mas isso não impede que a população brasileira possa opinar sobre a venda de armas e munição.
sexta-feira, 23 de setembro de 2005
Assisti sim, e daí?
Contrariando o conselho de um colega de redação e uma ex-namorada, assisti 2 filhos de Francisco. Filme bom, mas muito aquém do que propagandearam. Se tem um cara que eu respeito dentro da crítica cinematográfica brasileira é o comentarista da CBN Marcos Petrucelli. Pois justamente ele rasgou elogios à cinebiografia de Zezé di Camargo e Luciano, inclusive contando que foi assitir ao filme com uma expectativa ruim, mas se surpreendeu.
"O filme é sensacional"; "Confesso que chorei várias vezes"; "Acho sinceramente que ele deveria ser indicado pelo Brasil para concorrer ao Oscar". Todas essas aspas foram ditas no dia seguinte à exibição em Gramado, festival em que ele não competiu, mas, segundo Petrucelli, comoveu a todos. O crítico frisou que o filme tinha todos os elementos que interessariam aos americanos na avaliação do Oscar, principalmente porque mostrava uma história de "winners". A comissão brasileira de seleção deve ter pensado parecido e ontem, na sede do Ministério da Cultura, anunciou a indicação e o sonho de Marcos se concretizou.
Posso ter pecado em criar uma expectativa grande para um filme que giraria em torno de um estilo musical que eu detesto, mas tentei ver ali os elementos de cinema como fotografia, enredo, atuação dos atores, verossimilhança, montagem, som e tudo mais que achasse ser relevante num bom filme. Tecnicamente, o diretor e meu xará, Breno Silveira, fez um bom trabalho. Só evitaria o clichê do Emival largando a bola quando viu que seu irmão podia tocar accordeon.
Em outros aspectos deixa a desejar. Zilú é uma mulher perfeita; Zezé cantava ruim com força na primeira tentativa pública e - apesar do gap entre uma cena e outra - do nada ele vira um "sabiá do Cerrado"; Luciano também se descobre cantor como em um passe de mágica. Faltou nos atores-mirins o que sobra no paraibano Ravi Ramos: expressividade no olhar. Até que menino que interpreta Emival ainda traz um pouco disso.
O filme é longo, apesar de não ser muito enfadonho, em um momento ou outro cansa. O que cansa mesmo é a insistência do roteiro em repetir que a idéia de Francisco em transformar seus filhos em cantores era coisa de doido.
Entre mortos e feridos paga o ingresso. Mas discordo totalmente da idéia de indicá-lo a competir a uma das cinco vagas de melhor filme estrangeiro. Resta aguardar o próximo dia 31 de janeiro. Acho difícil entrar entre os cinco, mas, quem sabe o Petrucelli não está com a razão?
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