sábado, 28 de janeiro de 2006
Mera coincidência
Outro dia eu estava prestando atenção na propaganda do Governo da Paraíba - a que mostra um ator viajando pelos municípios de todo o estado mostrando as obras da gestão de Cássio Cunha Lima. Notei que esse ator é fisicamente muito parecido com Cícero Lucena, o mais provável candidato a senador da chapa governista. Ele é magro, cabelo baixo, usa óculos, tal qual o ex-prefeito de João Pessoa.
Acredito que nesse caso as aparências não enganam. (Aliás, na maioria das vezes as aparências se confirmam.) Um garoto-propaganda que é a cara do pretenso senador deve contabilizar em votos, ou pelo menos numa receptividade melhor à sua presença nos palanques, mesmo porque a propaganda é muito boa - e cara, creio.
Como a ignorância tem os pés fincados na Paraíba - coisa que nossos políticos não pretendem mudar - o anúncio de uma obra de pequeno porte é tido como uma boa notícia. Imagino que o custo de produção algumas dessas peças publicitárias seja maior do que o benefício anunciado. Ao invés de nos indignarmos com a série de inserções no horário nobre da Globo para dizer que uma rua foi calçada, achamos (inclua-me fora disso!) que o Governo está trabalhando pela Paraíba.
sábado, 31 de dezembro de 2005
Blog? Pra quê?
- Ninguém mais lê blogs*
- A onda passou.
Há um pouco mais de dois anos escrevo no meiodonada. Escrevo porque acho um espaço legal para contar situações engraçadas ou reflexões do dia a dia. As idéias vão surgindo e eu vou postando.
Já fui contra colocar um contador para medir o acesso. Preferia ver o número de comentários, o que me daria uma noção tanto de acessos quanto de recepção. Depois que vi que o contador traria muito mais informações do que o número de visitantes, terminei aderindo.
E hoje, graças a esse contador, sei que esse blog está praticamente morto. Uns poucos amigos ainda participam, mas se isso virar um mural de palavras vazias jogadas ao "webvento" devo parar.
A todos, desejo com todo meu otimismo, um feliz Ano Novo! 2006 deve ser melhor que 2005!
* Diálogo real.
domingo, 18 de dezembro de 2005
Maldade inata
O que leva uma pessoa a ser má? Por que, mesmo em condições semelhantes de vida social e educação, dois indivíduos apresentam posturas opostas?
Defendo a tese que o mal existe dentro do homem desde a sua geração. Que existe uma pré-moldura não completamente rígida, mas com indícios específicos da personalidade que podem ser acentuados ou minimizados.
Dessa forma, entendo que mesmo as crianças tem instintos maus e que, apesar de não avaliar as conseqüências completas de seus atos, elas desejam retribuir o que lhe fazem. O discernimento do bem e do mal não lhes é claro, o que não significa que não haja intenção de fazer um ou outro.
Para mim, é como se Deus tivesse distribuído um pacote de personalidades e temperamentos para a humanidade. Cada pessoa recebeu um, resta saber o que ela fará com o que tem.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2005
Rememorando o XI Fenart (Parte II)
"Por 15 dinheiros" e "O fim do mundo"
A mostra competitiva de videos é um espetáculo a parte do Fenart. Começando pela coordenação que nos surpreende todos os anos com exclusão de alguns videos e a seleção de outros que se adequariam mais a um evento universitário do que a um festival nacional.
Esse ano a ficção "O gosto de ferrugem", de J. Audaci Jr, selecionado na mostra paralela de Gramado (RS) e no Dcine (PR), foi barrado em seu próprio estado. Em contrapartida, "Penélope", produção carioca de Célia Freitas que disputava a mesma categoria, entrou. O contraste de qualidade é explícito. Não sei o que eles beberam.
"O meio do mundo", filme de curta-metragem do paraibano Marcus Vilar, exibido na primeira noite da Mostra de Cinema e Video poderia receber outro nome. Sugiro "O fim do mundo". Não pelo lugar afastado onde os personagens habitam, mas porque o menino que vai "conhecer o que é a vida" tem que apelar pra São Jorge, santo experiente com aquele tipo de criatura!
Quanto ao longa-metragem paraibano mais "de rosca"* da história, "Por 30 dinheiros", de Vânia Perazzo, não há muito o que comentar. Dos 30, só vi 15! O filme não era de boxe, mas me nocauteou. A maioria das piadas eu já tinha lido na internet. Eu daria uma enxugada grande em algumas cenas. Fico surpreso com o quanto algumas tomadas foram alongadas. Será que quem editou estava achando a cena engraçada? Cada cabeça uma sentença!
Os heróis que ficaram até o fim da sessão agraciaram a equipe presente com "palmas plastificadas", como definiu meu amigo Jãmarri Nogueira.
*A expressão refere-se a demora em ficar pronto. O que não foi culpa de Vânia.
terça-feira, 29 de novembro de 2005
Entretexto
Ainda não escrevi a parte II do "Rememorando o XI Fenart", mas pra afastar as teias colo aqui uma saudação "pré-boas festas" de um e-migo que conheci na comunidade "Só no Trocadilho".
O Perdido na Metrópole, rei do trocadilho tosco, catedrático em "redundância redundante", doutor em urucubaca, graduado nos terreiros de Oxford, Harvard e São Bernardo do Campo com pós em artes cínicas, defensor das "minorias de maior número", analista de política, entre outros assuntos humorísticos...
Deseja-lhes de coração um Natal repleto de Paz e Alegria e um super mega hiper ultra máster bláster pluss advanced maravilhoso e excelentemente fantástico 2006!
Um forte abraço de Silvio Alvarez
O Perdido na Metrópole
www.perdidonametropole.zip.net
terça-feira, 15 de novembro de 2005
Rememorando o XI Fenart (Parte I)
O Fenart terminou e o teto não caiu. Depois da pressão do Crea-PB em condenar o local às vésperas da abertura, inclusive recomendando que as pessoas sequer caminhassem pela calçada externa porque o risco de desabar era iminente, o governo bateu o pé, chamou seus engenheiros e aprovou tudo. Até imagino a cena. "Essa viga tá parecendo uma peneira de coco ralado, mas não cai, não. Ok!".
Lembro do dia em que eu estava ensaiando com o Coral Universitário no Cine Bangüê e - literalmente - uma cascata começou a jorrar na lateral direita do palco. Por pouco não pegou o piano. Imagino que um bolsão de água acumulado na cobertura do Espaço Cultural encontrou em fim sua saída.
Mas deixando a forma de lado e discutindo o conteúdo, aproveitei pouco do XI Fenart. O primeiro dia que pude ir foi na segunda-feira (7) e ainda assim cheguei atrasado ao ótimo show "Contrabaixisto". Xisto Medeiros é gênio no contrabaixo acústico e excelente no elétrico. Pena que não o vi tocando o tradicional. Como cantor não achei lá essas coisas. Ficou devendo. Um repertório bom como aquele merecia o convite a um intérprete.
A atração seguinte superou a primeira. Carlos Malta e Quinteto Uirapuru foram impecáveis. Fiquei pensando que instrumento de sopro Malta não saberia tocar. A desenvoltura é plena em todos os que o vi utilizar. Inclusive com um pife ou flauta de madeira transversa que usou durante uma entrevista ao Zuada, da TV UFPB.
O Quinteto Uirapuru, que costumava ter a formação tradicional de cordas (dois violinos, uma viola, um violoncelo e um contrabaixo) substituiu o violoncelo pelo fagote, um instrumento de sopro pouco conhecido, com timbre grave que acho sensacional. Já o conhecia porque o regente do Coral da UFPB, Eduardo Nóbrega, é fagotista e o ouvi em apresentações ao vivo e no CD do Quinteto Itacoatiara. O som do fagote parece um pouco com a voz dos adultos nas dublagens dos desenhos do Snoopy.
Como o dia seguinte era "de branco" só aproveitei isso mesmo. Na próxima parte falo da Mostra Competitiva de Vídeos.
sexta-feira, 28 de outubro de 2005
Insônia. De novo?
Terminei de escutar o CD de Alceu Valença da coleção Obras Primas. Estava tentando adormecer enquanto viajava nos arranjos e melodias. Não deu jeito. Antes disso, fui perturbado pela lembrança do casal que matou uma família inteira no Conde, na semana passada.
Ontem escutei o relato do crime, contado pelos acusados. A cena é dantesca. O horror da menina de 11 anos, que deve ter ouvido o irmão morrer e depois ficou sozinha no quarto com o assassino é algo insondável. A frieza é desumana.
Não consegui pregar os olhos porque lembrava da imagem. Lembro que, durante o expediente de ontem, na redação do Correio, fiquei com o estômago embrulhado visualizando a cena. Fui interrompido pelo e-mail de um colega de trabalho com um trocadilho barato que me fez rir.
Mas na madrugada de hoje, quando não há quase nenhum ruído presente a não ser o roer do ponteiro dos segundos, minha mente traz de volta o filme do dia. Queria poder fechar os olhos agora e abrir somente às 7h40. Umas cinco horas bem dormidas fariam toda a diferença em uma sexta-feira.
Assinar:
Postagens (Atom)