quinta-feira, 15 de junho de 2006
Se Parreira fosse um homem...
Tiraria Ronaldo, o Femínimo, aos 15 minutos do primeiro tempo contra a Croácia. Ele está sem ritmo de jogo e fazendo com que o time perca oportunidades importantes de ataque. Parreira pensa que jogo de Copa do Mundo é spa de jogador. O resultado disso é um Brasil que encoraja as outras seleções a se esforçarem um pouco mais e a não temerem o "favorito".
Não sei o que Parreira quis dizer com "excepcional" ao comentar a vitória do Brasil. Só penso no trocadilho implícito. A Croácia poderia até ser apontada como o adversário mais forte da Seleção na primeira fase, mas não é nenhuma estrela do futebol mundial. Ganhar por 1 a 0?! Muita gente diria que foi "cagada", aliás a atuação do goleiro e dos defensores foi tão importante quanto o gol de Kaká.
Ao invés de demagogias, o técnico deveria reconhecer seus erros e os de sua equipe. Deveria assumir o compromisso de uma apresentação mais convincente no jogo do dia 18. A vitória magra nos dá um saldo de gols baixo e desanima os torcedores quanto ao que esperar das oitavas-de-final quando o Brasil deve enfrentar Itália ou República Tcheca. Somos os melhores do mundo, é preciso fazer jús à fama e à História. Que nosso maestro não desafine.
domingo, 28 de maio de 2006
De volta à melhor idade
Encontrei um cidadão que acha que a velhice é a melhor idade: Zuenir Ventura. Antes que alguém se pergunte "mesmo?", vou contextualizar. Zuenir, que está prestes a completar 75 anos, esteve em João Pessoa para participar da 1ª Bienal do Livro da Paraíba.
O jornalista e escritor convidado disse que não gostava de quando lhe faziam perguntas do tipo "que conselho você poderia dar aos mais jovens". Zuenir acredita que não tem conselhos a dar porque os tempos são outros e cada um deve buscar seus próprios caminhos.
Zuenir Carlos Ventura, que ainda tentou emplacar o segundo nome porque detestava "Zuenir", contou que em sua vida tudo aconteceu por acaso, inclusive a escolha de sua profissão. "Só não pude confirmar até hoje se eu fui gerado por acaso", brincou.
"Quando eu era adolescente era tão difícil, havia tantas incertezas. Estou vivendo a melhor fase de minha vida. (...) Eu sou como aquele filme que fiz sobre o Paulinho da Viola: meu tempo é hoje!", concluiu.
sexta-feira, 19 de maio de 2006
O bom malvado
Quem nunca ouviu falar de André Dahmer deveria procurar saber. Desenhista profissional, autor de uma das tiras mais divertidas e ácidas publicadas na internet, os Malvados.
Dahmer critica a sociedade e seus costumes burgueses, a fraqueza do macho, as ilusões dos idealistas e ainda estetiza a violência física e moral.
O desenhista produz diariamente uma tira em seu site, que além dos quadrinhos vem com uma espécie de "briefing" da piada do dia no topo e uma sugestão de busca no "cata-corno google". Navegar nos links recomendados por Dahmer também é um passatempo ótimo. Foi ali que descobri o blog de Allan Sieber.
A tira de hoje motivou o post, mas recomendo o link "Tiras Malvadas" no menu à esquerda. Fiz questão de "congelá-lo" para a posteridade! Processe também!
segunda-feira, 1 de maio de 2006
E por falar em fetiche
...chegou Dove Clear Tone. Muitos de meus amigos mais chegados sabem, mas como aparece gente de fora por aqui (sejam bem vindos!) e eu não tenho receio de comentar, aí vai: tenho fetiche por sovaco. Femininos, claro. Tanto que criei uma comunidade no Orkut acatando a sugestão de uma amiga minha, tantas vezes importunada pelos meus dedos em suas axilas.
Venhamos, há quem resista a uma axila feminina, cheirosa e lisinha? E para completar sem desodorante? Uma delícia! Só dá vontade de beijar. Fazer cócegas aos beijos em uma axila assim é um prazer sem medida! É andar no limite entre o prazer e o incômodo. Ela quer abrir-se aos beijos, mas as cócegas a retraem. Uma alegoria do jogo da sedução.
Semana passada, como que um presente publicitário, vi nas duas revistas semanais que assinamos a propaganda desse desodorante que previne a pele de manchas escuras nas axilas. A foto não poderia ser outra: um delicioso sovaco escancarado e lisinho de mulher. Minha humilde comunidade permanece com cinco silenciosos membros (não costumo divulgá-la, pra quê?), mas tenho certeza que os amantes dos sovacos são numerosos e estão em todas as nações. O Mercado já nos descobriu.
PS: Apesar do fetiche antigo, somente semana passada descobri que o correto é sovaco. Você também achava que era "suvaco", hein?
quarta-feira, 12 de abril de 2006
Salve o politicamente correto!
O título não é uma saudação - só um trocadilho mesmo! O caso é que se tem uma coisa que me incomoda é o tal do "politicamente correto" no que se refere à linguagem. Esse jeito forçado de tentar "poupar" alguém ou alguma coisa de uma palavra ou sentido incômodo.
A última que ouvi foi em uma matéria do Band News hoje pela manhã que falava das recomendações de linguagem para o Reino Unido na abordagem dos conflitos envolvendo muçulmanos. Agora se deve evitar "terrorismo islâmico" e usar "terrorismo dos que invocam o Islã de forma abusiva". Isso pra mim é exagero!
No mesmo balaio eu coloco "afro-descendente" em vez de "negro", "pessoas com deficiência" em vez de "deficientes", "deficiente visual" em vez de "cego", e principalmente, o hours concours "melhor idade" que substitui "terceira idade". Aliás, os outros tentam substituir, mas esse mente mesmo!
Vamos ser sinceros: uma pessoa com deficiência é deficiente! Ninguém está o chamando de burro, ou incapaz. E o negro, deixa de ser negro porque é afro-descendente? Lembro de uma entrevistada do Programa Sem Censura, da TVE que frisou: "Não, imagina?! Eu sou cega, sim. Não precisa me chamar de deficiente visual".
Quando eu ficar velhinho, se assim Deus permitir, podem ter certeza que não vou considerar aquela a melhor idade.
segunda-feira, 27 de março de 2006
O milagre de Daigo
Já fazia um tempo que eu queria escrever sobre Daigo Umehara, mas daí veio Andrei e postou antes de mim. Fogo é que abre um precedente para dizerem que eu estou o imitando. Mas vai assim mesmo.
Pra quem nunca ouviu falar em Daigo Umehara e sabe inglês, recomendo clicar aqui e ler o que a Wikipedia diz sobre ele. Pois é! Daigo é verbete da Wikipedia!
Eu não sei se esse garoto japonês tem outras atividades, mas Daigo ganha dinheiro vencendo oponentes em campeonatos de videogame, em jogos de luta como Street Fighter. Ele ficou mundialmente famoso depois que um video (veja links no fim do post) foi difundido na internet com uma incrível virada de Ken (comandado por Daigo) sobre Chun Li (comandada por Justin Wong), durante a semifinal do Evolution 2004.
Seu Ken estava perto de morrer enquanto a Chun Li do oponente tinha "life" de sobra. Era a terceira luta da melhor de três. Daigo então começa a dar uma seqüência de golpes que vai detonando Justin Wong, mas como ele já estava "fraco", dois golpes poderiam matá-lo. Justin consegue dar um deles e depois apela para o "special", comando que pode ser usado em alguns momentos e faz o lutador dar uma seqüência violenta de golpes.
Se o Ken de Daigo defendesse o "special", morreria por "chipping" (dano de defesa). Então em vez de defender os 15 golpes, ele ataca com sincronia perfeita cada um deles, inclusive o último que era um aéreo. E pra completar a obra prima, Daigo devolve o "special" e liquida Justin levando a platéia e o narrador do combate ao delírio.
Custei a acreditar. Pensava que era montagem, que era impossível sem desconfigurar o jogo. Depois de ver várias vezes fiquei convencido. Se você já jogou Street Fighter alguma vez, o video é imperdível. Confira os links abaixo:
Obs: Uma dica para ver os vídeos é deixá-los passar por completo sem som e depois colocar do início.
Virada de Daigo
Os três rounds da luta entre Daigo e Justin
Uma explicação para a técnica de daigo está aqui.
terça-feira, 14 de março de 2006
Aproveite as flores e sepulte
Esse post é uma tentativa de "boa ação do dia", que termina valendo até quinta, já que espero que esse filme saia de cartaz nesta sexta-feira (17)*. Flores Partidas (EUA, 2005) é provavelmente o pior filme que vi nos últimos 12 meses. Pensei em escrever um crítica séria - que o destruísse -, mas resolvi fazer um "apelo solidário" para salvar os espectadores destes lastimantes 106 minutos.
A sinopse é ótima. Um solteirão, conhecido como um "Don Juan" em sua juventude, recebe uma carta supostamente escrita por uma de suas ex-namoradas. Ela afirma que estava grávida há 19 anos atrás quando ele a deixou e resolveu ter o filho sozinha. A mulher não assina a carta, mas avisa que seu filho saiu numa misteriosa viagem, provavelmente em busca de seu pai. O homem prepara uma lista de ex-namoradas e com a ajuda de um amigo parte em busca da provável autora.
Bill Murray interpreta Don Johnston, personagem central dessa história vendida como comédia, mas que se enquadra melhor no gênero drama. Conhecido por interpretar personagens que exploram o humor do mau-humor, Murray aparece em diversas tomadas, longas diga-se, fazendo coisas monótonas como assistir a um filme ou desenho animado antigo sem esboçar qualquer expressão facial. A idéia é convencer o espectador que Don Johnston tem uma vida vazia.
Winston (Jeffrey Wright), seu vizinho, um negro com sotaque jamaicano, é metido a detetive e logo que vê a carta que Don recebeu tenta descobrir de onde ela foi enviada. Sem êxito, pede ao amigo que faça uma lista de namoradas que teve na época e graças ao MSN Search (vocês pensavam que só filme nacional tinha merchandising?!) localiza endereços, passagens, locais para alugar um carro, e traça o roteiro de viagem. Jonhston diz que não viajará e viaja.
Daí até o filme acabar temos uma seqüência de encontros infrutíferos que mostram como a vida foi ruim para todos. Don Johnston permanece tão sedutor quanto há 20 anos usando a infalível técnica de ser educado e falar pouco. No caminho, ele encontra jovens viajantes - um deles pode ser seu filho! - e volta para casa tão feliz quanto partiu.
O final é "surpreedente", claro que não vou contar. Recomendo aos que gostam de filmes alternativos, com uma estética diferente ou uma narrativa que foge ao comum, que loquem Trainspotting. Brincadeira. Não era isso que eu iria dizer. Mas quem insistir em ver essa obra (trocadilho!) de Jim Jarmush, espere chegar às locadoras e chame dez pessoas para rachar o preço. Acho que por 50 centavos a frustração é menor. Se você acha difícil convencer alguém a assistir isso, apele para os adolescentes. Diga que tem uma mulher que aparece totalmente nua (refiro-me à nudez gratuita da conhecidíssima Alexis Dziena. Quem?) durante a sessão.
* A esperança é a última que morre, mas morre. Ficou mais uma semana.
Assinar:
Postagens (Atom)