sábado, 4 de março de 2006
Mais que Chico Buarque
Eu estava lá. Restaurante Yokan, Cabo Branco, por volta das 23h30 da última quinta-feira (2). Tinha ido ao cinema e minha amiga havia sugerido comida japonesa. Quando estava me servindo encontrei Bráulio Tavares na fila.
Comentei baixinho "já viu quem está aí? (...) Bráulio Tavares".
Juro que não foi por tietagem, mas sentamos numa mesa perto da dele, na área externa. Dentro do restaurante estava muito barulhento. Daí, enquanto comíamos e conversávamos chega esta mulher, uma balzaquiana. "Olhe sou sua fã. Tenho todos os seus livros*, leio todos os seus artigos. Você é mais que Chico Buarque, porque é paraibano".
Claro que a essa altura eu e minha amiga já trocávamos risos discretos, a posição que estávamos sentados ajudava a disfarçar. A mulher foi embora e eu fiquei pensando no post.
Bráulio Tavares é um gênio. Não bastasse sua erudição intelectual que o torna internacionalmente conhecido no campo da ficção científica, desenvolveu seu lado artístico como poucos na Paraíba. É um cordelista de primeira qualidade e suas parcerias musicais constituem as melhores faixas de alguns discos que ouvi ou assisti (DVD é disco, não é?).
Até aí tudo bem. O que soou estranho foi dizer que ele é maior que Chico Buarque porque é paraibano. Ela ainda disse que se Bráulio estivesse no Rio seria muito mais famoso que o músico carioca. Mas até onde sei, Bráulio mantém residência naquele estado.
Não concordo que nosso representante paraibano supere Chico Buarque, digo já quebrando o conceito político-acadêmico correto de que arte não se compara. Bráulio Tavares e Chico Buarque já cravaram os nomes no leque de artistas competentes da História cultural do Brasil. O fato dele ser paraibano nos enche de orgulho, mas não é motivo para dar um "up" na sua gradação.
Acho que esse foi mais um exemplo de que na Paraíba nos sentimos menores e temos necessidade de nos auto-afirmarmos repetindo constantemente - você já deve ter ouvido - que em determinado contexto "a Paraíba não fica devendo" a esse ou aquele lugar.
* Duvidei disso. Será que ela tem "O que é ficção científica"?
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
Que Breno?
Considerando que estou com 27 anos, prestes aos 28, chego a conclusão que não alcancei a maioria dos meus sonhos. Também constato que dificilmente passarei para a História universal. É mais fácil eu procurar o bispo Macedo e tentar entrar para a história da Universal. (Esse trocadilho foi um lixo, mas eu vou deixar no post.)
A maior parte dos gênios sobre quem já li executou suas grandes obras entre os 20 e 25 anos. O mesmo acontece com a maioria dos que obtiveram reconhecimento em suas áreas de atuação.
Dito isto, devo estar ancorado ao anonimato, aos mediocremente satisfeitos ou descer um degrau e virar um grande Zé Ninguém.
Minha expectativa derradeira é procurar a liberdade na ciência, tornar-me um erudito, estragar minha visão nas letras miúdas dos livros empoeirados. Os inquietos mudarão o mundo.*
* Benjamin Abrahão no epílogo do filme Baile Perfumado (Brasil, 1997).
terça-feira, 7 de fevereiro de 2006
Preguiçoso não!
Tem gente que diz que eu sou preguiçoso - o que é uma grande injustiça - e outros que sou desorganizado - concordo em parte -, mas o fato é que tenho um talento especial para deixar para depois o que não gosto de fazer ou não me sinto competente para cumprir.
Isso não é preguiça, se fosse seria uma preguiça seletiva. Sou super ativo. Se pudesse estenderia o dia para 30 horas. Só assim teria as 24 que me são de direito e manteria outras seis para dormir, como de costume. Procuro aproveitar o máximo dos meus momentos de lazer, aulas, debates, conversas e tantas outras coisas que conseguem me deixar submerso de satisfação.
Durante esse período da UFPB tivemos uma greve e um recesso. Por minha vontade teria saído todas as noites. Procurei ficar atualizado no cinema, ler uns livros que estavam na estante e freqüentar as reuniões da igreja e dos amigos. Também freqüentei a locadora - nem sempre acertando a escolha - mas acredito que investi bem meu tempo, pelo menos na maioria das vezes.
Mas as pendências acadêmicas permaneceram. Não posso dizer que alcancei meus objetivos. Assim como as falíveis resoluções de Ano Novo, planejei quitar todos os trabalhos de Metodologia do Ensino da Música e os da especialização de jornalismo cultural. Agora tenho oito dias para fazer dez trabalhos de metodologia. Já da especialização falta o trabalho final, que tinha dois meses para corrigi-lo e até agora nem toquei nisso, e dois trabalhos menores dos módulos. Que dureza!
sábado, 28 de janeiro de 2006
Mera coincidência
Outro dia eu estava prestando atenção na propaganda do Governo da Paraíba - a que mostra um ator viajando pelos municípios de todo o estado mostrando as obras da gestão de Cássio Cunha Lima. Notei que esse ator é fisicamente muito parecido com Cícero Lucena, o mais provável candidato a senador da chapa governista. Ele é magro, cabelo baixo, usa óculos, tal qual o ex-prefeito de João Pessoa.
Acredito que nesse caso as aparências não enganam. (Aliás, na maioria das vezes as aparências se confirmam.) Um garoto-propaganda que é a cara do pretenso senador deve contabilizar em votos, ou pelo menos numa receptividade melhor à sua presença nos palanques, mesmo porque a propaganda é muito boa - e cara, creio.
Como a ignorância tem os pés fincados na Paraíba - coisa que nossos políticos não pretendem mudar - o anúncio de uma obra de pequeno porte é tido como uma boa notícia. Imagino que o custo de produção algumas dessas peças publicitárias seja maior do que o benefício anunciado. Ao invés de nos indignarmos com a série de inserções no horário nobre da Globo para dizer que uma rua foi calçada, achamos (inclua-me fora disso!) que o Governo está trabalhando pela Paraíba.
sábado, 31 de dezembro de 2005
Blog? Pra quê?
- Ninguém mais lê blogs*
- A onda passou.
Há um pouco mais de dois anos escrevo no meiodonada. Escrevo porque acho um espaço legal para contar situações engraçadas ou reflexões do dia a dia. As idéias vão surgindo e eu vou postando.
Já fui contra colocar um contador para medir o acesso. Preferia ver o número de comentários, o que me daria uma noção tanto de acessos quanto de recepção. Depois que vi que o contador traria muito mais informações do que o número de visitantes, terminei aderindo.
E hoje, graças a esse contador, sei que esse blog está praticamente morto. Uns poucos amigos ainda participam, mas se isso virar um mural de palavras vazias jogadas ao "webvento" devo parar.
A todos, desejo com todo meu otimismo, um feliz Ano Novo! 2006 deve ser melhor que 2005!
* Diálogo real.
domingo, 18 de dezembro de 2005
Maldade inata
O que leva uma pessoa a ser má? Por que, mesmo em condições semelhantes de vida social e educação, dois indivíduos apresentam posturas opostas?
Defendo a tese que o mal existe dentro do homem desde a sua geração. Que existe uma pré-moldura não completamente rígida, mas com indícios específicos da personalidade que podem ser acentuados ou minimizados.
Dessa forma, entendo que mesmo as crianças tem instintos maus e que, apesar de não avaliar as conseqüências completas de seus atos, elas desejam retribuir o que lhe fazem. O discernimento do bem e do mal não lhes é claro, o que não significa que não haja intenção de fazer um ou outro.
Para mim, é como se Deus tivesse distribuído um pacote de personalidades e temperamentos para a humanidade. Cada pessoa recebeu um, resta saber o que ela fará com o que tem.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2005
Rememorando o XI Fenart (Parte II)
"Por 15 dinheiros" e "O fim do mundo"
A mostra competitiva de videos é um espetáculo a parte do Fenart. Começando pela coordenação que nos surpreende todos os anos com exclusão de alguns videos e a seleção de outros que se adequariam mais a um evento universitário do que a um festival nacional.
Esse ano a ficção "O gosto de ferrugem", de J. Audaci Jr, selecionado na mostra paralela de Gramado (RS) e no Dcine (PR), foi barrado em seu próprio estado. Em contrapartida, "Penélope", produção carioca de Célia Freitas que disputava a mesma categoria, entrou. O contraste de qualidade é explícito. Não sei o que eles beberam.
"O meio do mundo", filme de curta-metragem do paraibano Marcus Vilar, exibido na primeira noite da Mostra de Cinema e Video poderia receber outro nome. Sugiro "O fim do mundo". Não pelo lugar afastado onde os personagens habitam, mas porque o menino que vai "conhecer o que é a vida" tem que apelar pra São Jorge, santo experiente com aquele tipo de criatura!
Quanto ao longa-metragem paraibano mais "de rosca"* da história, "Por 30 dinheiros", de Vânia Perazzo, não há muito o que comentar. Dos 30, só vi 15! O filme não era de boxe, mas me nocauteou. A maioria das piadas eu já tinha lido na internet. Eu daria uma enxugada grande em algumas cenas. Fico surpreso com o quanto algumas tomadas foram alongadas. Será que quem editou estava achando a cena engraçada? Cada cabeça uma sentença!
Os heróis que ficaram até o fim da sessão agraciaram a equipe presente com "palmas plastificadas", como definiu meu amigo Jãmarri Nogueira.
*A expressão refere-se a demora em ficar pronto. O que não foi culpa de Vânia.
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